O guia de quem conhece o Beto Carrero World: o gigante dos parques temáticos de Santa Catarina
Trilhos de montanha-russa contra o céu em um grande parque temático brasileiro.
O maior parque temático da América Latina se espalha por 1,4 milhão de metros quadrados do litoral catarinense, misturando montanhas-russas, animais de zoológico e shows de faroeste em uma experiência de entretenimento genuinamente brasileira a apenas 20 quilômetros ao norte de Balneário Camboriú.
Como chegar a Penha e onde se hospedar
O Beto Carrero World fica em Penha, município encaixado entre a BR-101 e o Atlântico, no litoral central de Santa Catarina. A maioria dos visitantes se hospeda em Balneário Camboriú, 23 quilômetros ao sul pela SC-412, onde há dezenas de hotéis ao longo da Avenida Atlântica e no bairro mais tranquilo da Praia dos Amores. O trajeto leva 25 minutos fora do pico da manhã e você economiza bastante na hospedagem em comparação a ficar na própria Penha. Reserve um quarto com estacionamento, porque o carro alugado dá liberdade para chegar antes da abertura das 9h e sair depois do desfile das 18h sem depender dos ônibus lotados. Se for de avião, o Aeroporto de Navegantes fica a 12 quilômetros da entrada do parque — 15 minutos em linha reta pela BR-101 —, o que faz dele o traslado mais conveniente do Brasil para uma grande atração. Florianópolis está 85 quilômetros ao sul, cerca de 75 minutos pela BR-101, e funciona como base se você dividir a viagem entre praia na Ilha de Santa Catarina e um único dia de parque, ainda que o deslocamento coma parte do seu tempo de brinquedos na parte da manhã.
A faixa hoteleira de Penha se concentra na Praia da Armação, cinco quilômetros a leste dos portões do parque. Os hotéis daqui custam de 30 a 40 por cento menos que torres equivalentes em Balneário Camboriú, e o bairro tem cara de cidade de praia de verdade, com restaurantes de frutos do mar na Rua Nereu Ramos e nada da densidade de arranha-céus que define Balneário. Em contrapartida, a variedade gastronômica é limitada e a vida noturna, praticamente nula. Famílias que viajam nas férias escolares brasileiras — janeiro, julho e o recesso de outubro — devem reservar quartos em Penha ou Balneário com pelo menos oito semanas de antecedência; a ocupação chega a 95 por cento e as tarifas sobem rápido. De meados de abril a junho e de agosto ao começo de novembro há menos gente dentro do parque e melhor disponibilidade nos hotéis do litoral, mas confira o calendário do parque, porque ele fecha às segundas e terças fora da alta temporada.
Como circular pelas nove áreas temáticas sem perder meio dia
O parque se divide em nove áreas que se abrem em espiral a partir da avenida central de entrada, a Avenida das Nações. Quem vai pela primeira vez costuma perder uma hora andando sem rumo, porque o mapa oficial faz as distâncias parecerem curtas quando não são — o intervalo entre a Aventura Radical, na ponta oeste, e a Vila Germânica, a nordeste, é de 1,8 quilômetro de caminhada real. Ignore o percurso sugerido no sentido horário. Em vez disso, vire à esquerda logo depois das catracas e siga direto para o FireWhip, a montanha-russa de lançamento da Intamin que às 11h já acumula filas de 90 minutos. Ande nele e depois volte para a Big Tower, a torre de queda de 100 metros que fica na mesma área da Aventura Radical. Você terá vencido as duas atrações de adrenalina de maior capacidade do parque antes de a maioria das famílias terminar o café da manhã, o que permite conhecer o resto num ritmo civilizado.
Depois dessas duas, atravesse o Mundo Animal — a parte de zoológico, com leões brancos, elefantes e tigres-de-bengala — em direção ao Velho Oeste. Essa recriação de uma cidade de fronteira sedia o show de dublês mais emblemático do parque ao meio-dia e às 16h, na arena de 3.000 lugares na Rua do Xerife. Os efeitos são datados, mas o trabalho com os cavalos é realmente impressionante, e é uma das poucas atrações que vale assistir duas vezes se você tem crianças pequenas que perdem detalhes da trama na primeira. De lá, siga ao norte para a Vila Germânica, onde a montanha-russa Girafa e os balanços giratórios do Bayern Park dão conta do público com eficiência mesmo na alta temporada. Deixe Madagascar e a Aventura na Ilha — ambas com muito playground e encontros com personagens — para a pausa depois do almoço, entre 13h e 15h, quando as crianças maiores estão nos brinquedos e as filas desaparecem. O Circo do Beto, às 15h, no teatro fechado perto da entrada, oferece alívio com ar-condicionado e acrobacias de verdade — um bom ponto de recomposição antes do desfile da tarde pela Avenida das Nações, às 17h30.
O que andar, o que deixar de lado e a situação da comida
O FireWhip segue sendo a estrela — um lançamento hidráulico que te leva de zero a 100 quilômetros por hora em três segundos antes de atravessar um top hat e três inversões. É a única montanha-russa de lançamento do sul do Brasil e opera com confiabilidade, ao contrário de alguns dos brinquedos Zamperla mais antigos da Aventura Radical, que fecham para manutenção sem aviso. A Big Tower entrega a maior queda livre da região, e os assentos abertos fazem você ver o litoral atlântico se aproximando a uma velocidade séria. A Star Mountain, a montanha-russa fechada tipo wild mouse com tema de mina de ouro, surpreende quem imagina que é brinquedo de criança — é intensa, escura como breu em certos trechos, e os carrinhos giratórios geram força lateral de verdade. Em 2022 o parque acrescentou a Krater, uma montanha-russa giratória da Maurer Rides, que virou sucesso discreto entre os adolescentes; a fila raramente passa de 30 minutos porque ela está escondida na área alemã.
Pule o Tchibum por completo, a não ser que esteja com crianças de menos de sete anos. O tobo-água d'água faz um circuito de sete minutos para um splash que quase não molha o sapato, e a capacidade é péssima — você espera 40 minutos por nada. O Barco Pirata é igualmente sem graça; há versões mais intensas em parques itinerantes. A Montanha Russa é a montanha-russa de aço original de 1991 e, embora tenha valor nostálgico para os brasileiros que a conheceram na infância, é dura, curta e não vale mais de 15 minutos de espera. Se você está em dúvida sobre pagar a mais pelo Fast Pass, a resposta depende inteiramente das datas: absolutamente essencial em janeiro e julho, uma economia moderada de tempo nos fins de semana da primavera e dinheiro jogado fora em dias de semana da baixa temporada, quando você entra direto em quase todos os brinquedos. A comida dentro do parque é o padrão de parque temático a preços inflacionados — um sanduíche de picanha custa mais ou menos o que se paga num aeroporto de São Paulo. A Cantina do Velho Oeste, no Velho Oeste, tem a melhor relação comida-preço, com hambúrgueres decentes e Brahma gelada de chope. Como alternativa, dirija cinco minutos até a Rua Nereu Ramos, na Armação, para frutos do mar de mesa posta por um terço dos preços do parque, e depois volte para o desfile da tarde.
A parte de zoológico e como ela se compara a parques de fauna dedicados
O Mundo Animal abriga mais de 1.000 animais de 40 espécies, o que o coloca entre os maiores acervos zoológicos privados do Brasil. Os leões brancos — descendentes da linhagem de Timbavati — são os moradores-estrela, e o recinto ao lado do caminho principal garante a visualização, diferente de muitos zoológicos em que os grandes felinos se escondem na vegetação. O habitat dos elefantes, ampliado em 2019, dá aos três elefantes africanos espaço razoável para se movimentar, e a alimentação programada das 14h atrai público e traz conteúdo educativo real sobre desafios de conservação. Tigres-de-bengala, camelos, avestruzes e uma coleção de aves surpreendentemente extensa completam a experiência. Os recintos atendem a padrões modernos de bem-estar, uma melhora significativa em relação às jaulas de concreto apertadas que marcavam os zoológicos de beira de estrada brasileiros de uma geração atrás, ainda que defensores dos direitos animais continuem a discutir se parques temáticos deveriam abrigar grandes mamíferos.
Comparadas ao Parque das Aves, em Foz do Iguaçu, ou ao Gramado Zoo, na Serra Gaúcha, as áreas de animais do Beto Carrero parecem um complemento e não o evento principal — e é isso que são. Você não vai encontrar viveiros imersivos para atravessar a pé nem a profundidade de interpretação dos parques de fauna dedicados, mas a integração com o parque temático faz com que as crianças passem de olhar elefantes a andar na Girafa em três minutos, o que sustenta a atenção de um jeito que visitas só de zoológico às vezes não conseguem. Se a escolha é entre um dia inteiro no Beto Carrero e um dia no complexo de bondinhos do Parque Unipraias, em Balneário Camboriú, mais uma passada pelo pequeno zoológico de lá, o Beto Carrero entrega mais valor, a menos que seus filhos sejam obcecados por animais. Só o Mundo Animal justifica duas horas da visita, especialmente o show dos leões-marinhos às 11h no anfiteatro da piscina perto da fronteira com o Velho Oeste, onde as demonstrações de treinamento são de fato informativas e não puro espetáculo.
Como escolher a data levando em conta o clima e os ciclos de férias brasileiros
O litoral de Santa Catarina tem clima subtropical úmido com estações bem definidas que afetam diretamente a experiência no parque. Janeiro e fevereiro trazem calor, umidade e tempestades de fim de tarde — espere temperaturas entre 28 e 32 graus com pancadas repentinas entre 15h e 17h que fecham temporariamente as montanhas-russas ao ar livre. O parque continua aberto, mas você vai passar de 30 a 45 minutos abrigado sob toldos com milhares de outros visitantes. Março e abril oferecem a melhor janela de clima: quente o suficiente para brinquedos de água sem ser opressivo, menos chuva no acumulado e público bem mais reduzido depois do Carnaval. De maio a agosto as temperaturas caem — 15 a 22 graus — e o parque ajusta o horário, muitas vezes abrindo às 10h em vez de 9h e fechando às 17h em vez de 18h. Os brasileiros não vão a parques temáticos no inverno como europeus ou norte-americanos, então as filas são mínimas, mas leve roupas em camadas porque o vento do Atlântico corta as áreas abertas perto da Big Tower.
O calendário do parque acompanha as férias escolares brasileiras, criando três períodos anuais de aperto: a segunda metade de janeiro, o mês inteiro de julho e o recesso de meados de outubro. Nessas janelas, espere filas de duas horas no FireWhip já às 10h30 e pontos de alimentação sem itens do menu no começo da tarde. O parque recebe até 25.000 visitantes nos dias de pico — muito além da capacidade confortável para as atrações mais antigas — e a experiência piora bastante. Se sua viagem por Santa Catarina é flexível, mire nas temporadas intermediárias: fim de março, todo abril, maio, as três primeiras semanas de junho, agosto, setembro ou novembro antes de o verão engrenar. Você troca um pouco de luz do dia à noite e de calor para a praia por uma experiência de parque muito superior. Reserve hotéis no meio da semana, se possível; o parque libera a entrada de portadores de passe anual locais nos fins de semana, o que inflaciona a frequência de sábado e domingo em 35 a 40 por cento mesmo fora das férias escolares.
Combinando o parque com os destaques do litoral catarinense
A maioria dos visitantes encaixa o Beto Carrero como um único dia dentro de uma viagem de praia maior por Santa Catarina, o que faz todo sentido dada a diversidade costeira da região. Balneário Camboriú, apesar da reputação de Benidorm brasileira, tem praias realmente excelentes na ponta norte — Praia de Laranjeiras e Praia do Estaleiro seguem relativamente pouco exploradas comercialmente, acessíveis por trilhas curtas a partir da Avenida Interpraias. Bombinhas, 35 quilômetros ao norte de Penha pela SC-412 e SC-414, protege algumas das águas mais claras de Santa Catarina dentro de sua reserva marinha; Praia da Sepultura e Praia do Ribeiro entregam visibilidade de até 10 metros para snorkel, e é possível ver tartarugas marinhas nos mergulhos da manhã com os operadores da Rua Andorinha. O trajeto do Beto Carrero leva 40 minutos, o que torna Bombinhas viável como destino do segundo dia se você estiver hospedado em Penha.
Itajaí, 18 quilômetros ao sul de Penha, opera o maior porto de pesca do estado, e o Mercado Público, na Avenida Sete de Setembro, serve os frutos do mar mais frescos deste trecho de litoral — chegue antes das 11h para robalo e linguado inteiros a preço de atacado. Porto Belo, no meio do caminho entre Penha e Bombinhas, tem águas calmas de baía, ideais para stand-up paddle, e os passeios de barco à Ilha de Porto Belo, que param em três praias de banho inacessíveis por terra. Se você tem quatro ou cinco dias no total, divida o tempo entre duas noites em Penha ou Balneário Camboriú para o parque temático, depois suba para Bombinhas para snorkel e praia, terminando com uma noite em Florianópolis pelos restaurantes e bares da Lagoa da Conceição ou pelas praias de surfe do leste da ilha, na Joaquina e na Mole. O trajeto de Penha até o centro de Florianópolis pela BR-101 leva 75 minutos sem trânsito, e você passa pelo polo cerâmico de São João Batista, onde pode parar em lojas de fábrica que vendem os vasos e telhas de terracota que todo garden center brasileiro tem.
Antes de reservar
O que as pessoas perguntam antes de reservar em Penha.
Um dia inteiro basta para a maioria dos visitantes andar nas principais montanhas-russas, ver os shows centrais e percorrer a área de zoológico, desde que você chegue na abertura e siga um roteiro estratégico. O ingresso de dois dias faz sentido para famílias com crianças pequenas que precisam de pausas à tarde ou para entusiastas de parques que querem repetir tudo sem correr. O parque oferece desconto de cerca de 30 por cento no segundo dia em ingressos de vários dias, e ter um segundo dia elimina a pressão de encarar filas na hora do almoço, quando os pontos de alimentação estão lotados e o calor está no pico.
O parque funciona o ano inteiro, mas reduz a programação de maio a agosto, normalmente fechando às segundas e terças e abrindo às 10h em vez de 9h nos dias de operação. Confira o calendário oficial antes de reservar hotel, porque os dias de fechamento mudam ligeiramente cada ano. Visitas no inverno têm filas mínimas — você entra direto no FireWhip na maioria das manhãs —, mas algumas atrações aquáticas fecham, e os shows ao ar livre podem ser cancelados se a temperatura cair abaixo de 12 graus ou se o vento forte tornar as estruturas inseguras.
O bairro da Praia da Armação, em Penha, oferece a melhor combinação de proximidade, tarifas de hotel mais baixas e um clima mais tranquilo que a faixa de arranha-céus de Balneário Camboriú. Você fica a cinco quilômetros dos portões do parque, os hotéis incluem café da manhã e estacionamento como padrão, e a praia é boa para banho, sem o caos de jet skis que domina a areia central de Balneário. Reserve um hotel ao longo da Rua Nereu Ramos para chegar a pé a restaurantes de frutos do mar e a um supermercado Condor, onde comprar lanches e bebidas para levar ao parque.
Vá direto ao FireWhip na abertura — vire à esquerda logo depois das catracas e passe pelas lojas até a Aventura Radical. Ande no FireWhip e depois na Big Tower antes das 10h30 e você vence as filas que se formam quando chegam os visitantes de um dia vindos de Balneário Camboriú. Use o horário do almoço para percorrer o Mundo Animal e ver o show dos leões-marinhos, e depois encare as montanhas-russas da área alemã entre 14h e 16h, quando as famílias estão no show de dublês do Velho Oeste. O desfile das 17h30 esvazia as filas dos brinquedos para uma arrancada final de 45 minutos antes do fechamento.
Sim, se você vai passar quatro dias ou mais no litoral catarinense e gosta de parques temáticos ou viaja com crianças. Os 85 quilômetros do centro de Florianópolis levam 75 minutos, e é fácil combinar o parque com uma ou duas noites em Balneário Camboriú ou Bombinhas para intercalar os dias de praia. O Beto Carrero oferece uma experiência que não se repete em nenhum outro lugar do sul do Brasil — nenhum outro parque da região tem montanhas-russas dessa escala ou uma coleção de animais assim. Só deixe de fora se sua viagem a Florianópolis é puramente surfe ou trilha e parques temáticos não despertam nenhum interesse.