Erros de estreante para evitar em Santa Catarina
Carro alugado em uma estrada estreita de praia na Ilha de Santa Catarina
As 12 gafes que visitantes estrangeiros cometem nas primeiras 48 horas, e como driblar cada uma.
Reservar do lado errado da ilha
O erro mais caro é reservar hotel em Canasvieiras ou Ingleses para uma viagem que, no fundo, é sobre o sul da ilha. O norte é embalado, cheio de argentinos em janeiro e fevereiro, e fica a 40-60 minutos de carro da Lagoa da Conceição, Campeche e Pântano do Sul. Se você pretende surfar, encarar a trilha da Lagoinha do Leste ou comer ostras no Ribeirão da Ilha, vai passar duas horas por dia no trânsito da SC-401 e da SC-405 tentando chegar onde de fato queria estar.
Faça a geografia antes de reservar. Se a sua lista tem Joaquina, Mole, Galheta, Campeche e a noite da Lagoa, durma na Lagoa da Conceição ou na Barra da Lagoa. Se é o sul e a comida de ritmo lento, durma no Campeche ou na Armação. O norte só faz sentido se você tem crianças pequenas que querem água calma e morna e piscina, ou se está aqui para um evento específico em Jurerê Internacional. Não tente meio-termo se hospedando no centro achando que vai fazer o vai-e-vem para as praias; esse plano desmorona no primeiro dia.
Confiar nos tempos de trajeto do Google Maps na alta temporada
Entre 26 de dezembro e o Carnaval, os tempos de deslocamento do Google na Ilha de Santa Catarina são fantasia. A SC-401 norte, a SC-405 até as praias do sul e o anel da Avenida das Rendeiras na Lagoa entopem a partir do meio da manhã e não desatolam antes das 21h. Um trajeto de 22 km de Jurerê ao Campeche, que o app estima em 35 minutos, leva 90. Filas do ferry no Caminho dos Açores adicionam outros 40 minutos nos fins de semana de pico.
Dois hábitos resolvem quase tudo. Circule nas pontas do dia, antes das 9h ou depois das 20h, e concentre seus programas por região para não cruzar a ilha duas vezes por dia. Se um dia de praia começa na Praia do Santinho, ele deve terminar em Ingleses ou Brava, não no Pântano do Sul. Os locais planejam contornando o trânsito sem sequer perceber; visitantes brigam contra ele e perdem uma tarde.
Alugar um carro que você não consegue estacionar
Todo mundo diz a estreantes para alugar carro, e em linhas gerais está certo, mas ninguém avisa que em janeiro o carro vira um problema na própria praia. O estacionamento da Joaquina lota até as 10h30, o da Mole até as 11h, a Lagoinha do Leste nem tem estacionamento porque são 45 minutos de trilha. As ladeiras de areia da Praia do Rosa comem hatches pequenos. O centro de Florianópolis quase não tem vaga de rua que um turista encontre sem sofrer.
Alugue o carro, mas planeje dias sem carro. Use para ir a Guarda do Embaú, Praia do Rosa, Serra do Rio do Rastro ou Urubici, e deixe-o no hotel nos dias de praia, quando um Uber de R$30 até a Mole vale mais que uma hora rodando atrás de vaga. Se dormir na Lagoa da Conceição, dá para caminhar até o jantar e dispensar o carro duas ou três noites da viagem.
Confundir Balneário Camboriú com Florianópolis
As duas ficam a 80 km uma da outra pela BR-101 e não são intercambiáveis. Balneário Camboriú é uma cidade de praia com arranha-céus, uma Miami Beach em português, com calçadão, teleférico até Laranjeiras e cena noturna montada em torno do Green Valley e das casas da Barra Sul. Florianópolis é uma ilha de 42 praias, um centro colonial e uma cultura lenta de surfe e ostra. Reservar uma achando que queria a outra é um arrependimento comum.
Escolha de propósito. Balneário Camboriú se você quer caminhabilidade, restaurantes no térreo, grandes piscinas, uma faixa de areia a cinco minutos da cama e baladas abertas até as 6h. Florianópolis se quer variedade, natureza e está disposto a dirigir. Famílias com avós vão melhor em Balneário ou Itapema; surfistas, trilheiros e viajantes gastronômicos preferem esmagadoramente a ilha. Não tente fazer as duas em cinco dias.
Achar que a água é sempre morna
Santa Catarina não é o Rio. O mar aqui é alimentado por correntes frias que oscilam drasticamente. Em fevereiro, o mar em Jurerê e Canasvieiras fica em 24-26°C, morninho; uma semana depois, um vento sul pode derrubar Mole e Joaquina para 17°C em um dia. As praias do sul, Pântano do Sul, Armação, Matadeiro, são mais frias em média do que as do norte o ano inteiro. Fora de temporada, de junho a setembro, a água em costa aberta fica entre 16 e 18°C, território de neoprene.
Duas consequências. Não faça a mala só com biquíni e bermuda para uma viagem de inverno; você vai querer um top de neoprene leve ou pelo menos uma camisa UV, e calçado para caminhadas na areia com vento. E não julgue o mar de Santa Catarina por um único dia frio. Se a Mole estiver gelada, dirija 40 minutos até Jurerê ou Daniela, onde a água da baía costuma ser dez graus mais quente, e tente de novo.
Subestimar a barreira do idioma
A cobertura do inglês em Santa Catarina é mais rala que no Rio ou em São Paulo. As recepções dos hotéis maiores em Jurerê, Balneário e no centro de Florianópolis se viram bem; pousadas pequenas na Praia do Rosa, Garopaba e Urubici, muitas vezes não. Cardápios de restaurantes fora do circuito turístico são só em português, garçons podem falar algum espanhol, mas raramente inglês, e motoristas de ônibus não falam. O espanhol argentino e uruguaio te leva mais longe do que o inglês na maior parte do estado.
Instale o Google Tradutor com português baixado para uso offline antes de embarcar. Aprenda dez palavras que se pagam: bom dia, obrigado, a conta, sem gelo, quanto custa, cartão, dinheiro, praia, ônibus, banheiro. Aponte para cardápios, sorria, e os brasileiros vão te encontrar no meio do caminho. Não levante a voz em inglês com um garçom confuso; é o jeito mais rápido de transformar uma recepção calorosa em fria.
Ignorar a etiqueta de dinheiro e cartão
A aceitação de cartão em Santa Catarina é excelente, melhor do que na maior parte da Europa. Visa e Mastercard funcionam em toda parte, de quiosques de praia a postos de gasolina; contactless é universal em Florianópolis e Balneário. O que pega os visitantes é o miúdo. Flanelinhas, aluguel de cadeira na praia no Pântano do Sul, o cara que vigia o carro na entrada da trilha da Lagoinha do Leste, gorjeta da camareira da pousada: tudo em dinheiro, tudo em notas pequenas, idealmente R$5 a R$20.
Saque R$300 a R$500 em dinheiro na chegada em caixas do Banco do Brasil ou Bradesco, não nas máquinas privadas Prosegur ou Banco24Horas, que cobram R$25-30 por saque e limitam a R$1.000. Avise o emissor do seu cartão que está viajando; um estabelecimento brasileiro dispara bloqueio antifraude em cartões que nunca saíram de casa. A gorjeta não é obrigatória além dos 10% de serviço já na conta, mas arredondar um táxi ou deixar R$5 para a camareira é normal.
Antes de reservar
As perguntas que as pessoas fazem sobre Santa Catarina, respondidas com os números deste mês.
Sete dias inteiros no chão é o mínimo honesto para Florianópolis mais uma noite fora, na Praia do Rosa ou em Urubici. Cinco dias funcionam se você se comprometer com uma região da ilha e cortar o continente. Menos que quatro dias e você vai passar mais tempo no carro do que na areia.
Em janeiro e fevereiro, sim, para qualquer lugar com nome: Café de la Musique em Jurerê, as ostrerias do Ribeirão da Ilha, os melhores restaurantes de pousada na Praia do Rosa. Fora de temporada, dá para chegar sem reserva em quase todo lugar. Almoço de domingo em restaurante de frutos do mar precisa de reserva o ano inteiro; os locais lotam.
Sim, em feiras de comida e lojas. Os preços no Mercado Público, em feiras e pousadas são fixos, e pechinchar é lido como desrespeito. Táxis usam taxímetro ou tarifa fixa de aeroporto; o Uber é mais barato e elimina a discussão. O único lugar em que uma negociação leve é normal é em passeios de vários dias ou motoristas particulares contratados diretamente.
Protetor solar reef-safe a preço razoável. Protetor em supermercado catarinense custa R$60 a R$120 por um frasco pelo qual você pagaria um terço em casa, e o índice UV em janeiro bate 12 regularmente. Traga dois frascos, mais um chapéu de aba larga e uma camisa UV de manga comprida para dias de praia acima de três horas.