Hotéis com restaurantes próprios que valem a refeição em Santa Catarina, ranqueados
Terraço de restaurante de hotel com travessa de frutos do mar e vista para o mar em Santa Catarina
Oito categorias de restaurantes de hotel que superam a concorrência local, além daqueles em que vale a pena caminhar 300 metros até um restaurante de verdade.
Por que restaurante de hotel geralmente é uma cilada por aqui
Santa Catarina come bem. Sequência de camarão em Bombinhas, ostras em Ribeirão da Ilha, pirão em qualquer pé-sujo da costa, a comida alemã de porco e repolho em Blumenau, a polenta italiana de Nova Trento — a cena gastronômica local do estado é genuinamente boa, e historicamente os restaurantes de hotel deixavam a desejar. Você pagava R$110 por um prato de peixe sem graça na pousada enquanto um almoço tradicional de R$65 ficava a 200 metros dali.
Isso mudou no topo e continua igual no meio. Abaixo, classifico pela regra de o restaurante do hotel bater ou não a concorrência local a pé. Onde bate, coma no hotel. Onde não bate, aproveite o café da manhã (universalmente forte no estado — a diária de R$200 inclui o que seria um café da manhã de R$45 em qualquer outro lugar) e faça almoço e jantar fora. A única exceção é a propriedade remota sem alternativa a pé, e mesmo aí, às vezes vale o deslocamento de carro.
Os restaurantes de encosta da Praia do Rosa
As pousadas mais caras do Rosa construíram restaurantes de verdade na última década, em parte pelo fato de descer e subir a ladeira para jantar ser genuinamente cansativo. As três ou quatro melhores hoje competem em qualidade com os restaurantes autônomos do vilarejo — foco em frutos do mar, menus-degustação enxutos a R$180-280, cartas de vinho com representação real de rótulos brasileiros regionais. O cenário (vista para o mar, terraço, salão pequeno) faz um trabalho que nenhum restaurante do vilarejo consegue igualar.
Veredito: coma pelo menos uma vez nas pousadas de topo. Pule os restaurantes de nível médio que oferecem um cardápio impresso "internacional" com massas e carnes em cinco variações — esse é o sinal de um restaurante desenhado para não ofender em vez de ser bom. O que reservar: o menu-degustação com a mesa de vista para o mar às 19h, quando o pôr do sol se sobrepõe ao segundo prato. Custo R$220-320 incluindo uma taça de vinho. É o melhor custo-benefício de alta gastronomia do estado.
Os hotéis de praia de Jurerê Internacional
Os quatro e cinco estrelas de Jurerê vendem dois produtos: o cardápio de piscina durante o dia (correto, sem graça, R$70-140 por prato) e o restaurante-assinatura (variável). Alguns poucos restaurantes-assinatura valem genuinamente a refeição — frutos do mar com pegada italiana, cardápios à la carte enxutos, R$180-320 para dois pratos. As margens sobre o vinho são altas (200-300 por cento nas mesmas garrafas que uma adega de Floripa vende por R$140).
Veredito: pule o restaurante-assinatura, coma no bar da piscina e use o transfer do hotel ou um Uber de 10 minutos até os restaurantes autônomos ao longo da Avenida dos Búzios. O vilarejo tem meia dúzia de restaurantes que superam o assinatura do hotel a um terço do preço. O que reservar caso decida jantar no hotel: a feijoada de domingo, a única refeição que os hotéis de Jurerê universalmente fazem bem e que é genuinamente difícil de encontrar nesse padrão fora de hotel.
Os hotéis-cervejaria de Blumenau
Uma categoria pequena mas em crescimento: hotéis anexados ou associados às cervejarias artesanais de Blumenau. O que você come é comida teuto-brasileira (eisbein, kassler, chucrute, spätzle) genuinamente regional e muitas vezes melhor do que a servida nos restaurantes turísticos do centro. Preços só da refeição R$80-160 por pessoa.
Veredito: coma no hotel com entusiasmo. As cozinhas das cervejarias fazem essa comida em escala com padrão profissional, e a cerveja vem de um tanque a 20 metros dali. O que pular: o restaurante de hotel que se vende como "culinária alemã" sem uma cervejaria anexa — geralmente é a versão turística diluída. A regra para Blumenau: coma onde a cerveja é feita, durma onde a cerveja é feita, e evite a faixa de restaurantes do centro a menos que esteja no roteiro da Oktoberfest, que é outro exercício.
A sequência de camarão da península de Bombinhas
Bombinhas é onde a linha entre restaurante de hotel e restaurante autônomo se borra. Várias pousadas da península servem sua própria sequência de camarão — a progressão local de camarão, seis ou sete pratinhos preparados de formas diferentes — por R$120-180 por pessoa. As boas pousadas compram camarão dos barcos locais e superam os restaurantes turísticos da avenida principal tanto em qualidade quanto em preço.
Veredito: confira o cardápio da pousada na chegada. Se a sequência de camarão aparece como item impresso nas sextas e sábados, reserve. Se não estiver, caminhe até os restaurantes autônomos de Bombas ou Mariscal onde a sequência é o negócio inteiro. O que pular: as pousadas que oferecem uma "travessa de frutos do mar" com camarão importado e lula congelada. Isso não é sequência e custa o mesmo. Pergunte de qual barco vem o camarão — uma pousada que responde pelo nome é uma em que você come.
Os restaurantes de hotel em Urubici e na serra
A serra inverte a equação. Urubici e São Joaquim têm cenas gastronômicas magras e os hotéis costumam ser a melhor opção. A truta é a especialidade local (cultivada nos riachos frios) e todo restaurante de hotel da serra com algum padrão prepara truta de três ou quatro formas a R$70-140. Os melhores hotéis compram de fazendas nomeadas e cozinham em padrão sério.
Veredito: coma no hotel quase todas as noites. As noites de inverno na serra têm 4-8°C e dirigir 15 km até um restaurante de vilarejo é uma tarefa que ninguém curte. O que pular: restaurantes de hotel que oferecem um cardápio "internacional" plastificado com espaguete à bolonhesa e frango a passarinho. Esse é o sinal de um hotel que desistiu. Reserve propriedades onde o restaurante faz parte genuína da proposta — vinícolas na região de São Joaquim, lodges perto de fazendas de truta em Urubici. A comida é parte real da viagem.
Os hotéis urbanos de Florianópolis
Os hotéis quatro estrelas executivos de Floripa mantêm restaurantes confiáveis e sem graça — o buffet de almoço custa R$60-80 e é adequado, o jantar à la carte é R$90-160 e sem brilho. Não há motivo para comer no hotel quando a cidade tem os restaurantes de ostras do Ribeirão da Ilha (a 30 minutos de carro), a cena gastronômica da Trindade e os restaurantes à beira-mar de Santo Antônio de Lisboa, todos ao alcance.
Veredito: pule o restaurante do hotel totalmente, exceto no café da manhã. Pegue o Uber até Ribeirão ou Santo Antônio para o almoço (R$140-200 por ostras e peixe para dois, mais R$40-60 de Uber), e use a Trindade ou a faixa da Lagoa da Conceição para o jantar. O que pular: a noite de "especialidades locais" do hotel, que universalmente serve versões diluídas de pratos feitos melhor e mais barato a 20 minutos dali. A cena gastronômica da cidade é genuinamente boa; use-a.
O contexto das ostras da Praia do Ribeirão da Ilha
Uma categoria de nicho: pequenas pousadas no Ribeirão da Ilha, no sudoeste da ilha, algumas com restaurantes que servem as ostras locais direto dos cultivos visíveis do terraço. Preços da refeição R$90-160 incluindo uma dúzia de ostras. O cenário é vilarejo colonial-açoriano de pescadores e a comida é o que todo mundo atravessa a ilha para comer.
Veredito: se estiver hospedado no Ribeirão, coma na pousada. Os restaurantes das pousadas daqui igualam a concorrência autônoma porque todo mundo compra das mesmas seis fazendas de ostra e os volumes são pequenos o suficiente para a qualidade se manter constante. O que pular: pousadas que não servem ostras no cardápio. Ribeirão é onde se vai pelas ostras — uma pousada de Ribeirão que não as serve perdeu o sentido de estar ali. Duas noites, dois jantares no terraço, e volte de carro para o aeroporto ainda com o gosto na boca.
O teste do café da manhã
Uma nota universal: o café da manhã nos hotéis de Santa Catarina é quase sempre excelente. O estado mantém uma tradição forte de café da manhã — pães frescos, frutas, queijos, frios, bolos (o bolo de fubá é a assinatura), tapioca feita na hora nos hotéis de nível médio e acima, ovos preparados sob encomenda no topo. Até a pousada de R$220 entrega um café da manhã que custaria R$45-60 em qualquer café da cidade. É aqui que a diária realmente devolve valor.
O corolário: pule o jantar do hotel e invista no café da manhã. Faça um café da manhã tardio decente (chegue às 9h, saia às 10h30), um almoço leve de praia (R$40-60 num quiosque à beira-mar) e saia para um jantar de verdade às 20h em um restaurante escolhido com cuidado. Esse ritmo custa menos que os pacotes de meia pensão e come melhor todos os dias. Os pacotes de meia pensão existem porque dão dinheiro para o hotel, não porque economizam para você — faça a conta da diária só com quarto mais uma refeição em restaurante por noite e ela sempre ganha.
Antes de reservar
As perguntas que as pessoas fazem sobre Blumenau, respondidas com os números deste mês.
Raramente. Na serra no inverno, quando dirigir até um restaurante de vilarejo é desagradável, sim. Em propriedades remotas (algumas pousadas de encosta no Rosa, cabanas isoladas em Urubici), sim. Em hotéis de praia com restaurantes a menos de 300 metros da propriedade, não — você paga R$120-180 por pessoa por noite por um menu fechado pior que a refeição de R$80 do restaurante à beira-mar ao lado.
Os menus-degustação das pousadas de topo na encosta do Rosa, os terraços das pousadas de cultivo de ostras no Ribeirão da Ilha, os restaurantes dos hotéis-cervejaria em Blumenau e algumas vinícolas de São Joaquim. Essas quatro categorias oferecem comida que você não conseguiria reproduzir facilmente em um restaurante autônomo no mesmo lugar. Todo o resto, coma fora.
Consistentemente, o ponto ideal. O cardápio de bar de piscina ou beach club de um hotel em Jurerê ou Camboriú — sanduíches, saladas, ceviches, peixe grelhado — sai a R$60-120 por prato e é bem executado no que se propõe. Melhor que o restaurante de jantar do mesmo hotel, mais barato que uma noite completa fora, e comido de traje de banho. Use para almoço e para uma noite de jantar relaxado por viagem.