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Santa Catarina sem carro: um roteiro de 6 dias pela costa de ônibus e barco

2026-05-145 min de leituraDestinoSC
Ônibus intermunicipal na rodoviária de Florianópolis pronto para partir rumo ao litoral Ônibus intermunicipal na rodoviária de Florianópolis pronto para partir rumo ao litoral

De Florianópolis a Bombinhas e descendo até Praia do Rosa, seis dias sem encostar em um contrato de aluguel.

A premissa honesta

Santa Catarina é um estado para quem dirige e fingir o contrário é perder tempo. As distâncias entre os bons lugares são de 60 a 180 quilômetros, a rede de ônibus intermunicipais é decente mas não frequente, e táxis nas cidades de praia sangram o orçamento em três dias. Dito isso, viajar sem carro aqui funciona melhor que na maior parte do Brasil por uma razão: as cidades litorâneas têm rodoviárias de verdade, os ônibus rodam por horário impresso, e Uber e 99 funcionam de forma confiável dentro de cada cidade deste roteiro. O que você não consegue sem carro é emendar três cidades de praia num mesmo dia solto. O que você consegue é passar dois ou três dias em cada uma e se mudar entre elas com organização.

Este plano de seis dias usa dois trechos longos de ônibus, um barco e deslocamentos diários de Uber ou ônibus urbano dentro de cada base. O gasto total com transporte para uma pessoa ao longo de seis dias fica em torno de R$420. O gasto total, incluindo hospedagem de faixa média, três refeições por dia e uma atividade paga por cidade, gira em torno de R$3.800 para um viajante e R$5.400 para dois dividindo. Não é viagem de mochileiro; também não é aluguel-mais-combustível. É o meio-termo, e serve a viajantes solo, casais mais velhos e qualquer pessoa cuja habilitação não combina bem com estradas brasileiras.

Dia 1: Florianópolis de ônibus urbano

Chegue em Florianópolis e hospede-se no Centro ou na Beira-Mar Norte, que são as duas regiões onde dá para caminhar até o jantar em vez de chamar carro. Hotéis de faixa média ficam entre R$320 e R$520 a diária com café. Dedique o Dia 1 a se orientar: o Mercado Público pela manhã, almoço na Rua Felipe Schmidt, caminhada pela Ponte Hercílio Luz à tarde e jantar na Beira-Mar. Os ônibus urbanos (R$5,60 a passagem) ligam Centro à Beira-Mar Norte em dez minutos; o app Cittamobi mostra a posição em tempo real e funciona melhor do que tentar ler os horários em papel nos pontos.

Não tente conhecer as praias da ilha no Dia 1. Os ônibus para Jurerê, Canasvieiras e Ingleses partem do Terminal de Integração do Centro (TICEN) e levam de 50 a 75 minutos por sentido — você queima duas horas e meia em deslocamento por uma tarde parcial de praia e chega à cidade da praia sem as malas. Guarde a praia para o Dia 2, quando você estará se movendo de fato. Durma a primeira noite no centro, onde o jantar é a pé e o traslado para o aeroporto na manhã seguinte é um Uber tranquilo de R$110.

Dia 2: ônibus para Bombinhas via Itapema

O intermunicipal direto da rodoviária de Florianópolis até Bombinhas sai três vezes por dia (por volta de 07:30, 11:30 e 16:00), leva duas horas e meia e custa R$52. Compre a passagem na véspera na rodoviária ou pelo site da Catarinense. Se os horários não funcionarem, pegue qualquer um dos ônibus de hora em hora para Balneário Camboriú e troque em Itapema — o percurso total demora 30 minutos a mais, mas você nunca espera mais de 45 minutos por uma conexão. Os ônibus têm ar-condicionado, bagageiro e assentos marcados; não são a experiência de terceiro mundo que alguns viajantes esperam.

A própria Bombinhas tem um centro caminhável em que você não precisa de carro depois de chegar. Pousadas de faixa média ficam entre R$340 e R$520 na baixa temporada, quase todas a 300 metros da praia principal. A tarde do Dia 2 é sua primeira praia de verdade — a Praia de Bombinhas fica a cinco minutos a pé de qualquer pousada central, e a Praia da Sepultura, uma enseada um pouco mais bonita, está a 15 minutos pelo caminho de costa. Jante em um dos restaurantes de frutos do mar da Avenida Leopoldo Zarling por R$85 a R$130 por pessoa. A cidade fecha cedo na baixa temporada; até as 22:30 a maioria dos restaurantes já encerrou a cozinha.

Dia 3: barcos de Bombinhas e Praia da Lagoinha

Os passeios de barco a partir do porto de Bombinhas vão à reserva marinha da Ilha do Arvoredo (R$180 por um passeio de quatro horas incluindo duas paradas para snorkel) e às praias mais próximas ao redor da península (R$65 por um passeio de duas horas). O trajeto ao Arvoredo precisa ser reservado até as 09:00 da manhã do embarque, para uma saída às 10:30, e vale a pena em dia de mar calmo — a visibilidade é de verdade 15 a 20 metros e você vê peixes de recife, arraias e tartarugas de vez em quando. Se o mar estiver agitado, o passeio vira sofrimento; verifique com os operadores no porto e esteja disposto a trocar pelo tour da península.

Na tarde do Dia 3, caminhe ou pegue uma van local (R$5) até a Praia da Lagoinha, a pequena meia-lua no lado norte da península. É mais tranquila que a praia principal de Bombinhas, tem dois quiosques que servem pratos de peixe grelhado por R$65, e é o tipo de lugar em que você perde três horas sem perceber. De volta à cidade para jantar e dormir cedo — o ônibus do dia seguinte para o Rosa é um dia inteiro de viagem. Se tiver um quarto dia sobrando, gaste-o percorrendo as trilhas da península até a Praia do Cardoso e de volta, uma volta de cinco horas que é a melhor coisa gratuita da cidade.

Dia 4: o pega-pega até a Praia do Rosa

Bombinhas até a Praia do Rosa é o trecho chato da viagem. Não há ônibus direto; a sequência é Bombinhas–Itapema (30 minutos, R$12), Itapema–rodoviária de Florianópolis (75 minutos, R$28) e Florianópolis–Imbituba (duas horas, R$48). O tempo total com conexões fica em torno de seis horas por R$88. A rodoviária de Imbituba fica a 18 quilômetros do próprio Rosa; táxi ou Uber por R$65 fecha o percurso. Ponha o despertador para 06:30, saia de Bombinhas no ônibus das 07:30 e você chega à sua pousada no Rosa às 15:00 com tempo para banho de mar e jantar.

A alternativa é um transfer particular, que várias empresas fazem entre cidades de praia do norte e do sul do litoral por R$580 para até quatro passageiros. Vale se vocês forem duas pessoas ou mais dividindo (R$145 a R$290 por pessoa) e economiza três horas de viagem. Reserve por WhatsApp com qualquer uma das empresas de Bombinhas — a recepção da pousada tem os contatos. De qualquer forma que você faça o percurso, chegue ao Rosa até o meio da tarde; os restaurantes da cidade são mais espalhados que os de Bombinhas e você vai querer luz do dia para se localizar.

Dia 5: Praia do Rosa sem carro

O Rosa é uma vila de pousadas espalhadas por dois promontórios e um vale central, o que faz dela a cidade mais complicada do roteiro para quem viaja sem carro. O truque é escolher hospedagem com cuidado. Reserve uma pousada na Vila (a vila central) ou no lado da Praia Vermelha, e não no promontório mais afastado do Ouvidor — os dois primeiros ficam a pé de restaurantes e do acesso à praia; o último exige táxi para todo jantar. Pousadas de faixa média na Vila ficam entre R$420 e R$680 na baixa temporada, e a diferença de preço para as opções mais sofisticadas do promontório é o que você gastaria em táxi de qualquer forma.

O Dia 5 é o dia das baleias, de junho a novembro. Os barcos de observação saem de Ibiraquera ou de Garopaba (ambos R$45 a R$65 de Uber a partir do Rosa) e custam R$220 por um passeio de três horas. Reserve na véspera. Fora da temporada de baleias, o dia funciona como caminhada e banho de mar: a trilha da Vila até a Praia Vermelha é uma caminhada de 40 minutos no alto do costão, e a praia em si é uma boa praia de mar aberto no Atlântico com quiosque para almoço. Jante na Vila em um dos restaurantes de frutos do mar; a pé, R$120 a R$180 por pessoa, roupa casual.

Dia 6: Lagoa de Ibiraquera e a saída

Passe a última manhã na Lagoa de Ibiraquera, a dez minutos de táxi do Rosa. A lagoa é rasa, quente, e o aluguel de stand-up paddle (R$60 a hora) é o jeito mais tranquilo possível de passar duas horas. Almoce em um dos restaurantes à beira da lagoa por R$85 por pessoa, e depois volte ao Rosa para arrumar as malas. A volta ao aeroporto de Florianópolis é a mesma sequência ao contrário: táxi até a rodoviária de Imbituba (R$65), ônibus até Florianópolis (duas horas, R$48), táxi da rodoviária ao aeroporto (R$85, 30 minutos). Total R$198 e cerca de quatro horas porta a porta. Saia do Rosa até as 13:00 para um voo à noite.

Se o voo é no dia seguinte, durma a última noite de volta no Centro de Florianópolis em vez de num hotel de aeroporto — a região do aeroporto é vazia e as opções de comida são limitadas. Um jantar final no Mercado Público ou na Beira-Mar Norte fecha a viagem com estilo. O roteiro inteiro funciona como uma rota linear sem retorno, o que é justamente o que o torna viável de ônibus; todos os trechos vão na mesma direção, nenhum leva mais que meio dia, e cada base tem coisas suficientes a pé para que você nunca fique parado esperando um táxi para andar um quilômetro.

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Antes de reservar

As perguntas que as pessoas fazem sobre Bombinhas, respondidas com os números deste mês.

Os ônibus intermunicipais são seguros e confortáveis?

Sim, nos dois quesitos. As principais empresas (Catarinense, Reunidas, Santo Anjo) rodam ônibus modernos, com ar-condicionado, poltronas marcadas, bagagem despachada no bagageiro com etiqueta e paradas limpas nas rotas mais longas. Compre online ou nos guichês da rodoviária. Existem viagens noturnas, mas nenhum trecho deste roteiro exige uma.

Dá para fazer esse roteiro no sentido inverso, saindo de Porto Alegre?

Dá. O ônibus Porto Alegre–Rosa leva cerca de sete horas e custa R$140 a R$180. Inverta todos os passos a partir daí. A única vantagem de começar em Florianópolis é o aeroporto internacional e conexões de voo mais fáceis; começar em Porto Alegre sai mais barato se você já estiver no Rio Grande do Sul.

E se eu usar Uber para a viagem toda em vez de ônibus?

Uber não faz rotas intermunicipais — o app só funciona dentro dos limites de cada município. Você não consegue pedir um Uber de Florianópolis a Bombinhas. Os transfers particulares preenchem essa lacuna por cerca de R$580 por veículo, quatro vezes o valor da passagem de ônibus, mas mais rápidos e porta a porta para duas ou mais pessoas.

Dá para fazer tudo em uma semana se eu só tiver cinco dias?

Corte o Rosa e fique com Florianópolis e Bombinhas — é uma viagem tranquila de cinco dias com um trecho longo de ônibus no meio. Alternativamente, corte Bombinhas e faça Florianópolis e Rosa, o que dá duas bases decentes sem trocar de pousada no meio da viagem. Tentar encaixar as três em cinco dias significa que uma cidade fica com uma única noite, o que não compensa o esforço.

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