Santa Catarina sem carro: um fim de semana prolongado em Florianópolis
Ponto de ônibus com um coletivo urbano de Florianópolis chegando numa avenida à beira-mar
Três dias inteiros com 0 km rodados, usando 4 linhas de ônibus, 2 travessias de barco e muita caminhada.
Por que ir sem carro
Florianópolis é a única cidade de Santa Catarina onde um fim de semana sem carro funciona de verdade. A rede municipal de ônibus alcança 90% das praias da ilha, os Executivos turísticos preenchem as lacunas, e os Ubers custam R$15-40 para trajetos que atravessam a ilha. Alugar um carro por 3 dias sai R$650-900 com seguro e estacionamento incluídos; dispensar o carro economiza esse dinheiro e, no verão, economiza as caçadas de 45 minutos por uma vaga na Praia Mole. Também permite beber de verdade no almoço, o que muda a cara da viagem.
O porém: você não consegue chegar com facilidade às atrações do continente (Beto Carrero, Bombinhas, a Serra) sem carro. Este fim de semana fica inteiramente na ilha de Santa Catarina. Se quiser bate-voltas ao continente sem carro, acrescente um quarto dia e reserve um tour guiado com traslado do hotel — R$180-280 por pessoa para Bombinhas ou Beto Carrero, contra R$450+ se você alugasse por um dia.
Base: Lagoa da Conceição, não o centro histórico
Durma na Lagoa da Conceição. É o hub de transporte da ilha — todo ônibus de praia do leste passa por ali, a linha Centro-Lagoa roda a cada 15 minutos até as 23h, e o Uber até o aeroporto leva 30 minutos e custa R$65-85. A própria Lagoa é caminhável à noite, com mais de 30 restaurantes num núcleo de 4 quadras e bares na beira da lagoa para o pôr do sol. Pousadas de categoria média ficam entre R$380-580 na alta temporada, R$280-380 na meia. Evite o centro histórico como base para dormir: esvazia depois das 19h, os restaurantes fecham cedo, e você vai precisar de transporte para toda praia.
Também evite Jurerê Internacional e Canasvieiras como base sem carro. Ficam no extremo norte da ilha e o retorno de uma praia da costa leste implica baldeação no TICEN (o terminal central) — 90 minutos de trajeto. Os beach clubs de Jurerê valem uma noite, mas não o deslocamento diário. Se precisa ficar em frente à praia, a Barra da Lagoa é uma alternativa decente à Lagoa propriamente dita, com ônibus diretos e quartos a R$350-500.
Dia 1: Lagoa, dunas e Praia Mole
De manhã: caminhe pela própria Lagoa da Conceição. O Centrinho (núcleo histórico) tem uma igreja de época portuguesa, uma feira de artesanato na Rua das Rendeiras (sextas e sábados) e um calçadão à beira da lagoa que dá para percorrer por 2 km em qualquer direção. Alugue um stand-up paddle nos quiosques de esportes aquáticos por R$50/hora — a lagoa é calma e tem 200m de largura, segura até para iniciantes. Almoce num restaurante à beira da lagoa: a sequência de camarão (camarão em cinco preparações) é o clássico e custa R$140-180 para duas pessoas.
À tarde: pegue o ônibus para a Praia Mole (linha 360, 15 minutos, R$5,20). As dunas da Joaquina ficam entre a Lagoa e a costa — desça no ponto das dunas, alugue um sandboard por R$25, e passe 45 minutos nas descidas antes de caminhar 10 minutos até a Praia Mole para um banho e uma cerveja na areia. Volte no ônibus das 17h30, tome um banho, jante na Lagoa às 20h. Experimente uma pizzaria a lenha por R$85 a pizza, ou um bom restaurante de frutos do mar por R$110 por pessoa. A noite da Lagoa vai longe — bares servem até as 2h nos fins de semana.
Dia 2: O sul de ônibus até o Pântano do Sul
O sul da ilha é a parte mais selvagem e recompensadora, e fica a uma hora de ônibus da Lagoa. Pegue a linha 561 ou o Executivo Sul turístico (R$8, mais rápido) até o Pântano do Sul, uma vila de pescadores em atividade onde os barcos ainda desembarcam a pesca da manhã. Caminhe pela praia rumo ao sul por 40 minutos até a Praia da Solidão — uma enseada mais selvagem, com areia escura e pouca gente mesmo em janeiro. Volte ao Pântano do Sul para almoçar no Bar do Arante, o lendário restaurante de peixes que funciona desde 1958 e cobre as paredes com bilhetes dos clientes. R$120-160 por pessoa por um peixe grelhado inteiro e acompanhamentos.
À tarde: uma caminhada mais curta até a Praia dos Naufragados, o extremo sul da ilha, envolve uma trilha de mata de 40 minutos a partir da Caieira da Barra do Sul — mais 20 minutos de ônibus em cada sentido. Só faça se estiver em boa forma e tiver a tarde toda. Caso contrário, volte de ônibus passando pela Armação (desça e caminhe pela colônia de pescadores por 30 minutos) e esteja de volta à Lagoa até as 18h. Jantar: prove um restaurante manezinho no Ribeirão da Ilha se tiver ânimo para mais um ônibus (linha 460, 40 min), ou coma perto, na Lagoa, e deixe o Ribeirão para outra viagem.
Dia 3: passeio de barco à Ilha do Campeche
O melhor custo-benefício de um único dia na ilha inteira. Ônibus da Lagoa até a Praia do Campeche (linha 363, 25 minutos, R$5,20). Na praia, compre o bilhete de ida e volta de barco para a Ilha do Campeche no quiosque dos pescadores, direto na areia — R$120 ida e volta, os barcos saem das 9h30 às 11h e retornam das 15h às 16h. A ilha é uma reserva protegida, com entrada limitada a 800 visitantes por dia, água turquesa, areia branca e snorkeling fácil ao redor do píer. Leve água, lanches e protetor solar reef-safe — a ilha tem um único restaurante básico com cardápio limitado a R$60 o prato.
Volte à praia do Campeche até as 16h30, aproveite uma hora na praia do continente (o Campeche é uma praia larga de surf com salva-vidas na temporada), e pegue o ônibus de volta à Lagoa. Jantar de despedida: reserve um dos melhores restaurantes da Lagoa — uma casa de frutos do mar contemporânea com menu-degustação a R$180-240, ou uma ostricultura manezinha na temporada (maio-outubro). Custo total do fim de semana, sem carro, hotel de categoria média, três dias para uma pessoa: R$1.900-2.600, incluindo hospedagem, refeições, passagens de ônibus, passeio de barco e um jantar mais caro.
Como os ônibus funcionam de verdade
Florianópolis tem dois sistemas de ônibus: municipal (azul e amarelo, usado por todo mundo, tarifa única de R$5,20, cartão ou dinheiro) e os Executivos turísticos (com ar-condicionado, R$8, menos paradas, mais rápidos). Para um fim de semana, use o municipal para trechos curtos e o Executivo para os trajetos mais longos ao sul da ilha. Baixe o app Consórcio Fênix ou consulte o Google Maps — ambos mostram a posição dos ônibus em tempo real e funcionam bem. O TICEN, terminal do centro, é o ponto de baldeação para trajetos entre lados da ilha; você sai e entra de novo dentro de 90 minutos sem pagar duas vezes.
Os ônibus rodam mais ou menos das 5h à meia-noite, com intervalos de 15-30 minutos nas linhas principais e horários por hora nas linhas do sul. Aos domingos a frequência cai 40% — confira os horários se o domingo for dia de praia. Uber está sempre disponível, com espera de 5-8 minutos nas áreas centrais. Uber da Lagoa ao aeroporto sai R$65-85, contra R$25 de ônibus, mas com trajeto de 90 minutos e baldeação com bagagem no TICEN. No dia da partida, Uber ganha.
O que você abre mão
Você abre mão dos beach clubs do norte da ilha em Jurerê Internacional como bate-volta casual — dá para chegar, mas 2 horas de trajeto em cada sentido é muito para um almoço de praia. Abre mão de chegar ao amanhecer em praias vazias: os ônibus não começam cedo o bastante para bater a multidão na Lagoinha do Leste ou nos Naufragados. Abre mão de combinar duas praias distantes num único dia — escolha uma região por dia e vá a fundo. E abre mão do bate-e-volta espontâneo de restaurantes no Ribeirão da Ilha (a vila das ostras), que dá 90 minutos entre ida e volta só para jantar.
Você ganha: zero caça a estacionamento, zero conta de "posso beber e dirigir", zero briga com seguro de locadora, zero cupom de posto, e uma noção muito melhor da geografia da ilha porque caminha entre pontos de ônibus e a areia. Para uma primeira visita de 3-4 dias focada em Florianópolis, o carro não é o upgrade que parece ser. Só alugue se estiver uma semana inteira ou se o roteiro cruzar para o continente mais de duas vezes.
Antes de reservar
As perguntas que as pessoas fazem sobre Campeche, respondidas com os números deste mês.
Florianópolis não vende passe turístico por dia — você paga por viagem, R$5,20 no municipal, R$8 no Executivo. Um usuário frequente faz 6-8 viagens em um fim de semana longo, ou seja, R$40-60 no total em ônibus. Pegue um Cartão Passe Rápido recarregável num guichê do TICEN (R$8 de taxa do cartão, depois carregue crédito) ou pague em dinheiro para o cobrador.
Sim, na ilha e no centro de Florianópolis. Uber e 99 operam amplamente, os motoristas têm avaliação e os preços são medidos. Preço dinâmico de madrugada é comum sexta e sábado das 1h às 4h, quando um trajeto Centro-Lagoa pode chegar a R$60 contra R$25 durante o dia. Confirme se a placa bate com a do app antes de entrar.
Tecnicamente sim, na prática não. São 2h30 de ônibus de Florianópolis até Imbituba mais 20 minutos de ônibus local ou R$40 de táxi até o Rosa, ou seja, 3h+ por trecho. Ok para uma viagem de 2 noites com mala, sofrível como bate-volta. Se o Rosa está na lista, planeje uma pernoite e pegue o ônibus intermunicipal com a bagagem, em vez de tentar fazer no mesmo dia.