Santa Catarina com crianças: um roteiro de 4 dias no norte da ilha que funciona de verdade
Família caminhando à beira do mar tranquilo na Praia de Canasvieiras durante a maré baixa
Quatro dias na ponta mais calma do norte de Florianópolis, montados em torno da hora do soninho, praias de pouca ondulação e horários minuto a minuto.
Por que o norte da ilha e não o sul
Santa Catarina tem praias melhores que as do norte de Florianópolis se você for um adulto competente que quer surf, drama e uma boa caminhada até a areia. O que ela não tem são praias mais fáceis. As praias voltadas para o norte — Canasvieiras, Jurerê, Daniela, Ponta das Canas, Praia dos Ingleses — ficam protegidas do swell sul que molda o resto do litoral, o que significa ondas pequenas, arrebentação suave e água calma na maré baixa. Para uma família com crianças menores de oito anos isso não é uma preferência, é o ponto central. O sul da ilha e o litoral do Rosa são para crianças mais velhas que conseguem nadar em ondulação; o norte é para as que ainda não conseguem.
O contraponto é que a ponta norte é mais urbanizada e, em janeiro e fevereiro, de fato movimentada. O trânsito na SC-401 entre Jurerê e Canasvieiras pode acrescentar 40 minutos a um percurso de cinco quilômetros às 11:00 ou às 17:00. Este roteiro foi montado em torno desse trânsito: você sai da base uma vez por dia, faz uma coisa direito, e volta antes do engarrafamento da tarde. Em março ou abril, quando as famílias já foram embora e o tempo ainda está quente, o mesmo trajeto roda com metade do esforço. Nada abaixo assume densidade de férias escolares; se você viajar no verão alto, some 20 por cento a todos os tempos de deslocamento.
Dia 1: chegada, Jurerê Tradicional e o píer
Voe até Florianópolis e pegue um táxi de 45 minutos por R$120 até a base — para crianças menores de oito anos, Jurerê Tradicional (a metade mais antiga e mais tranquila) é a escolha certa em vez de Jurerê Internacional (o lado dos beach clubs). Aluguéis no Tradicional ficam entre R$680 e R$980 a diária por um apartamento de dois quartos em alta temporada, e R$420 a R$580 fora dela. Faça o check-in até as 15:00. Passe a primeira tarde na praia bem em frente ao prédio — não tente dirigir para lugar nenhum no dia da chegada; crianças pequenas reagem mal a ser enfiadas de volta no carro depois de quatro horas de viagem.
O píer de Jurerê, na ponta oeste da praia, fica a uns 20 minutos de caminhada da orla principal, depois do trecho só de areia que a maioria dos turistas nunca alcança. É ali que os moradores realmente nadam; o próprio píer tem um pequeno quiosque vendendo água e coco (R$10 cada), e as poças de maré na base, na maré baixa, guardam pequenos siris e ermitões que ocupam uma tarde inteira de atenção de uma criança de cinco anos. Jantar em um dos restaurantes familiares da avenida principal — as pizzarias e trattorias aceitam clientes sem reserva por R$180 a R$260 para uma família de quatro, e nenhuma se incomoda com criança barulhenta.
Dia 2: Praia do Forte e a fortaleza
A Fortaleza de São José da Ponta Grossa fica na ponta oeste do norte da ilha, a 15 minutos de carro de Jurerê. A entrada custa R$20 para adultos e é gratuita para menores de dez anos. A fortaleza está preservada o suficiente para ser interessante — canhões apontados para o mar, uma capela, um paiol de pólvora, uma boa caminhada pelas muralhas — e pequena o bastante para ser visitada em 90 minutos sem esgotar ninguém. Vá às 09:30, antes do calor e antes das excursões chegarem às 11:00. O estacionamento é gratuito e a caminhada até a entrada é de uns 200 metros de trilha sombreada.
Bem abaixo da fortaleza fica a Praia do Forte, uma pequena praia em meia-lua ainda mais calma que Jurerê, porque está encaixada no promontório. É praia de banho e lanche, não de dia inteiro — passe duas horas ali depois da fortaleza, almoce no único quiosque (prato de peixe grelhado R$65, porção de fritas R$28), e esteja de volta em Jurerê às 14:30 para os cochilos que qualquer criança menor de seis anos vai precisar depois de fortaleza e mergulho. Tarde na piscina do apartamento, se você reservou um, ou de volta à praia para uma segunda sessão curta às 16:30, quando o sol já amoleceu.
Dia 3: passeio de barco à Ilha do Francês
A marina de Canasvieiras, a dez minutos a leste de Jurerê, opera passeios de meio dia à Ilha do Francês por R$95 o adulto e R$50 a criança menor de 12. Os barcos saem às 10:00 e às 13:30 e voltam quatro horas depois. O de 10:00 é o que se marca com crianças — coloca você na ilha às 10:45, em águas calmas e claras a 100 metros da costa, com um par de horas para nadar e comer antes do vento da tarde. Os barcos são catamarãs para 60 passageiros com sombra, banheiros e um pequeno bar; coletes salva-vidas são fornecidos para as crianças e as tripulações estão acostumadas com famílias.
A Ilha do Francês em si é um afloramento rochoso com duas pequenas praias e água clara adequada para snorkel com máscaras trazidas de casa ou alugadas no barco por R$15. Não há estrutura na ilha — sem quiosques, sem sombra além da que você levar — então leve água, lanches e um guarda-sol se tiver um. A volta atraca em Canasvieiras às 14:30, o que deixa você de volta a Jurerê para um almoço tardio às 15:15 e libera o restante da tarde para todos se recuperarem. Reserve o barco no dia anterior via WhatsApp; os operadores respondem rápido e recebem em dinheiro no dia.
Dia 4: Ingleses, as dunas de sandboard e o caminho de volta
Ingleses fica a 25 minutos a leste de Jurerê pela SC-403 e concentra uma das duas coisas que as crianças se lembram de uma viagem a Santa Catarina: as dunas de areia atrás da Praia dos Ingleses. Alugue pranchas de sandboard no quiosque do acesso às dunas (R$25 por prancha por hora) e deixe qualquer criança acima de seis anos tentar as descidas mais curtas. As dunas são realmente impressionantes — 40 metros de altura em alguns pontos — e a areia é fofa o suficiente para que as quedas sejam nada dramáticas. Duas horas dão e sobram. Vá às 09:00, antes de a areia esquentar; ao meio-dia a superfície fica desconfortavelmente quente para pé descalço.
Almoce em um dos restaurantes de frente para o mar em Ingleses (R$180 a R$240 para uma família de quatro) e depois a própria praia à tarde. Ingleses é um pouco mais exposta que Jurerê, mas ainda gentil o bastante para nadadores confiantes acima de cinco anos; mantenha crianças menores na arrebentação até a altura do tornozelo. Volte a Jurerê por volta das 16:30 para arrumar as malas e jante no restaurante que seus filhos elegeram como deles. Voo no dia seguinte pela manhã — reserve duas horas de folga para a estrada do aeroporto no trânsito de verão, que pode facilmente levar 90 minutos para um trajeto de 20 quilômetros.
O que levar que os guias não mencionam
Duas coisas evitam mais dor de cabeça às famílias do que qualquer outra. Primeiro, blusas UV de manga longa para cada criança — o sol nessa latitude em janeiro é agressivo, e o protetor solar falha em criança molhada e agitada em menos de uma hora. A Decathlon em Florianópolis vende por R$65 cada; traga de casa se puder. Segundo, uma pequena tenda de praia ou barraca dobrável (R$180 em qualquer loja de praia em Canasvieiras). Aluguel de guarda-sol na praia sai por R$40 o dia e costuma estar indisponível em semanas de pico; ter o seu significa montar onde quiser e ficar quanto tempo quiser.
Some: sapatilhas de neoprene para qualquer criança menor de dez anos (as pedras na Praia do Forte e na Ilha do Francês cortam), um bom protetor solar amigável para o recife (Australian Gold e Sundown se acham em todo lugar por R$45 a R$85) e uma pequena bolsa térmica para o passeio de barco. Não vale trazer carrinho de bebê para nada além do trecho no aeroporto — os acessos às praias do norte são todos por areia fofa, e o carrinho vira uma âncora a 20 metros da rua. Um canguru ou um carrinho de praia leve funciona muito melhor. Fraldas, fórmula e comidinha de bebê são encontradas em qualquer um dos quatro supermercados da região a preços brasileiros, e não turísticos.
Onde dormir e o que pular
Jurerê Tradicional é a base que faz este roteiro funcionar. Os apartamentos têm escala familiar, a maioria tem piscininha, a praia fica a 200 metros da porta, e há três supermercados e uma farmácia a cinco minutos a pé. Pule Jurerê Internacional a não ser que queira especificamente a cena de beach club, que não foi feita para famílias e cobra jantar a R$400 por pessoa. Pule Canasvieiras como base — é mais barato (R$320 a R$480 a diária), mas a cidade em si é mais adensada e agitada, e a praia é mais cheia. Pule o sul da ilha por completo; os deslocamentos são longos demais com criança pequena.
As duas coisas para tirar de uma lista turística padrão são o passeio à Lagoinha do Leste (uma trilha de 90 minutos por sentido, imprópria para qualquer criança abaixo de 12 anos) e o passeio de barco em torno da ilha (seis horas na água, além da janela de soninho, além da capacidade de atenção). Ambos são excelentes para adultos ou crianças mais velhas e péssimos para a faixa etária a que este roteiro se dirige. Mantenha o plano enxuto, os deslocamentos curtos, e aceite que quatro dias na ponta norte são uma viagem de verdade, não uma versão leve de um roteiro maior. É o que a geografia realmente oferece a famílias com crianças pequenas.
Antes de reservar
As perguntas que as pessoas fazem sobre Canasvieiras, respondidas com os números deste mês.
Foi pensado para crianças de mais ou menos três a nove anos. Menores de três precisam de menos deslocamentos e mais tempo parado — corte o passeio de barco do Dia 3 e acrescente um segundo dia de praia em Jurerê. Acima de dez anos, o sul da ilha, caminhadas mais longas e as praias com ondas passam a fazer sentido, então considere a região da Lagoa da Conceição.
Jurerê, Daniela e Praia do Forte são das mais seguras nesse litoral — ondas pequenas, entrada gradual e guarda-vidas na alta temporada. Ingleses é um pouco mais exposta e pode formar arrebentação em tardes de vento. Nenhuma exige capacidade de natação para nadar até a altura do tornozelo ou do joelho, mas supervisão adulta não é opcional em nenhuma delas.
Dá, usando táxi e Uber para os passeios do dia — o trajeto à fortaleza sai R$45 por sentido, Ingleses R$65 e a marina em Canasvieiras R$25. Isso soma cerca de R$540 em transporte ao longo de quatro dias para uma família de quatro, valor próximo ao de um aluguel. Alugue o carro; é mais fácil e permite parar no mercado.
A água da torneira em Florianópolis atende aos padrões brasileiros de potabilidade, mas tem gosto forte de cloro e não é o que os moradores bebem. Compre garrafões de 5 litros no supermercado por R$8 cada para beber e escovar os dentes; use a água da torneira para lavar. Restaurantes e quiosques servem água mineral ou filtrada por padrão.