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Santa Catarina com crianças: um roteiro de 4 dias no norte da ilha que funciona de verdade

2026-01-285 min de leituraDestinoSC
Família caminhando à beira do mar tranquilo na Praia de Canasvieiras durante a maré baixa Família caminhando à beira do mar tranquilo na Praia de Canasvieiras durante a maré baixa

Quatro dias na ponta mais calma do norte de Florianópolis, montados em torno da hora do soninho, praias de pouca ondulação e horários minuto a minuto.

Por que o norte da ilha e não o sul

Santa Catarina tem praias melhores que as do norte de Florianópolis se você for um adulto competente que quer surf, drama e uma boa caminhada até a areia. O que ela não tem são praias mais fáceis. As praias voltadas para o norte — Canasvieiras, Jurerê, Daniela, Ponta das Canas, Praia dos Ingleses — ficam protegidas do swell sul que molda o resto do litoral, o que significa ondas pequenas, arrebentação suave e água calma na maré baixa. Para uma família com crianças menores de oito anos isso não é uma preferência, é o ponto central. O sul da ilha e o litoral do Rosa são para crianças mais velhas que conseguem nadar em ondulação; o norte é para as que ainda não conseguem.

O contraponto é que a ponta norte é mais urbanizada e, em janeiro e fevereiro, de fato movimentada. O trânsito na SC-401 entre Jurerê e Canasvieiras pode acrescentar 40 minutos a um percurso de cinco quilômetros às 11:00 ou às 17:00. Este roteiro foi montado em torno desse trânsito: você sai da base uma vez por dia, faz uma coisa direito, e volta antes do engarrafamento da tarde. Em março ou abril, quando as famílias já foram embora e o tempo ainda está quente, o mesmo trajeto roda com metade do esforço. Nada abaixo assume densidade de férias escolares; se você viajar no verão alto, some 20 por cento a todos os tempos de deslocamento.

Dia 1: chegada, Jurerê Tradicional e o píer

Voe até Florianópolis e pegue um táxi de 45 minutos por R$120 até a base — para crianças menores de oito anos, Jurerê Tradicional (a metade mais antiga e mais tranquila) é a escolha certa em vez de Jurerê Internacional (o lado dos beach clubs). Aluguéis no Tradicional ficam entre R$680 e R$980 a diária por um apartamento de dois quartos em alta temporada, e R$420 a R$580 fora dela. Faça o check-in até as 15:00. Passe a primeira tarde na praia bem em frente ao prédio — não tente dirigir para lugar nenhum no dia da chegada; crianças pequenas reagem mal a ser enfiadas de volta no carro depois de quatro horas de viagem.

O píer de Jurerê, na ponta oeste da praia, fica a uns 20 minutos de caminhada da orla principal, depois do trecho só de areia que a maioria dos turistas nunca alcança. É ali que os moradores realmente nadam; o próprio píer tem um pequeno quiosque vendendo água e coco (R$10 cada), e as poças de maré na base, na maré baixa, guardam pequenos siris e ermitões que ocupam uma tarde inteira de atenção de uma criança de cinco anos. Jantar em um dos restaurantes familiares da avenida principal — as pizzarias e trattorias aceitam clientes sem reserva por R$180 a R$260 para uma família de quatro, e nenhuma se incomoda com criança barulhenta.

Dia 2: Praia do Forte e a fortaleza

A Fortaleza de São José da Ponta Grossa fica na ponta oeste do norte da ilha, a 15 minutos de carro de Jurerê. A entrada custa R$20 para adultos e é gratuita para menores de dez anos. A fortaleza está preservada o suficiente para ser interessante — canhões apontados para o mar, uma capela, um paiol de pólvora, uma boa caminhada pelas muralhas — e pequena o bastante para ser visitada em 90 minutos sem esgotar ninguém. Vá às 09:30, antes do calor e antes das excursões chegarem às 11:00. O estacionamento é gratuito e a caminhada até a entrada é de uns 200 metros de trilha sombreada.

Bem abaixo da fortaleza fica a Praia do Forte, uma pequena praia em meia-lua ainda mais calma que Jurerê, porque está encaixada no promontório. É praia de banho e lanche, não de dia inteiro — passe duas horas ali depois da fortaleza, almoce no único quiosque (prato de peixe grelhado R$65, porção de fritas R$28), e esteja de volta em Jurerê às 14:30 para os cochilos que qualquer criança menor de seis anos vai precisar depois de fortaleza e mergulho. Tarde na piscina do apartamento, se você reservou um, ou de volta à praia para uma segunda sessão curta às 16:30, quando o sol já amoleceu.

Dia 3: passeio de barco à Ilha do Francês

A marina de Canasvieiras, a dez minutos a leste de Jurerê, opera passeios de meio dia à Ilha do Francês por R$95 o adulto e R$50 a criança menor de 12. Os barcos saem às 10:00 e às 13:30 e voltam quatro horas depois. O de 10:00 é o que se marca com crianças — coloca você na ilha às 10:45, em águas calmas e claras a 100 metros da costa, com um par de horas para nadar e comer antes do vento da tarde. Os barcos são catamarãs para 60 passageiros com sombra, banheiros e um pequeno bar; coletes salva-vidas são fornecidos para as crianças e as tripulações estão acostumadas com famílias.

A Ilha do Francês em si é um afloramento rochoso com duas pequenas praias e água clara adequada para snorkel com máscaras trazidas de casa ou alugadas no barco por R$15. Não há estrutura na ilha — sem quiosques, sem sombra além da que você levar — então leve água, lanches e um guarda-sol se tiver um. A volta atraca em Canasvieiras às 14:30, o que deixa você de volta a Jurerê para um almoço tardio às 15:15 e libera o restante da tarde para todos se recuperarem. Reserve o barco no dia anterior via WhatsApp; os operadores respondem rápido e recebem em dinheiro no dia.

Dia 4: Ingleses, as dunas de sandboard e o caminho de volta

Ingleses fica a 25 minutos a leste de Jurerê pela SC-403 e concentra uma das duas coisas que as crianças se lembram de uma viagem a Santa Catarina: as dunas de areia atrás da Praia dos Ingleses. Alugue pranchas de sandboard no quiosque do acesso às dunas (R$25 por prancha por hora) e deixe qualquer criança acima de seis anos tentar as descidas mais curtas. As dunas são realmente impressionantes — 40 metros de altura em alguns pontos — e a areia é fofa o suficiente para que as quedas sejam nada dramáticas. Duas horas dão e sobram. Vá às 09:00, antes de a areia esquentar; ao meio-dia a superfície fica desconfortavelmente quente para pé descalço.

Almoce em um dos restaurantes de frente para o mar em Ingleses (R$180 a R$240 para uma família de quatro) e depois a própria praia à tarde. Ingleses é um pouco mais exposta que Jurerê, mas ainda gentil o bastante para nadadores confiantes acima de cinco anos; mantenha crianças menores na arrebentação até a altura do tornozelo. Volte a Jurerê por volta das 16:30 para arrumar as malas e jante no restaurante que seus filhos elegeram como deles. Voo no dia seguinte pela manhã — reserve duas horas de folga para a estrada do aeroporto no trânsito de verão, que pode facilmente levar 90 minutos para um trajeto de 20 quilômetros.

O que levar que os guias não mencionam

Duas coisas evitam mais dor de cabeça às famílias do que qualquer outra. Primeiro, blusas UV de manga longa para cada criança — o sol nessa latitude em janeiro é agressivo, e o protetor solar falha em criança molhada e agitada em menos de uma hora. A Decathlon em Florianópolis vende por R$65 cada; traga de casa se puder. Segundo, uma pequena tenda de praia ou barraca dobrável (R$180 em qualquer loja de praia em Canasvieiras). Aluguel de guarda-sol na praia sai por R$40 o dia e costuma estar indisponível em semanas de pico; ter o seu significa montar onde quiser e ficar quanto tempo quiser.

Some: sapatilhas de neoprene para qualquer criança menor de dez anos (as pedras na Praia do Forte e na Ilha do Francês cortam), um bom protetor solar amigável para o recife (Australian Gold e Sundown se acham em todo lugar por R$45 a R$85) e uma pequena bolsa térmica para o passeio de barco. Não vale trazer carrinho de bebê para nada além do trecho no aeroporto — os acessos às praias do norte são todos por areia fofa, e o carrinho vira uma âncora a 20 metros da rua. Um canguru ou um carrinho de praia leve funciona muito melhor. Fraldas, fórmula e comidinha de bebê são encontradas em qualquer um dos quatro supermercados da região a preços brasileiros, e não turísticos.

Onde dormir e o que pular

Jurerê Tradicional é a base que faz este roteiro funcionar. Os apartamentos têm escala familiar, a maioria tem piscininha, a praia fica a 200 metros da porta, e há três supermercados e uma farmácia a cinco minutos a pé. Pule Jurerê Internacional a não ser que queira especificamente a cena de beach club, que não foi feita para famílias e cobra jantar a R$400 por pessoa. Pule Canasvieiras como base — é mais barato (R$320 a R$480 a diária), mas a cidade em si é mais adensada e agitada, e a praia é mais cheia. Pule o sul da ilha por completo; os deslocamentos são longos demais com criança pequena.

As duas coisas para tirar de uma lista turística padrão são o passeio à Lagoinha do Leste (uma trilha de 90 minutos por sentido, imprópria para qualquer criança abaixo de 12 anos) e o passeio de barco em torno da ilha (seis horas na água, além da janela de soninho, além da capacidade de atenção). Ambos são excelentes para adultos ou crianças mais velhas e péssimos para a faixa etária a que este roteiro se dirige. Mantenha o plano enxuto, os deslocamentos curtos, e aceite que quatro dias na ponta norte são uma viagem de verdade, não uma versão leve de um roteiro maior. É o que a geografia realmente oferece a famílias com crianças pequenas.

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Antes de reservar

As perguntas que as pessoas fazem sobre Canasvieiras, respondidas com os números deste mês.

Para qual faixa etária esse roteiro serve?

Foi pensado para crianças de mais ou menos três a nove anos. Menores de três precisam de menos deslocamentos e mais tempo parado — corte o passeio de barco do Dia 3 e acrescente um segundo dia de praia em Jurerê. Acima de dez anos, o sul da ilha, caminhadas mais longas e as praias com ondas passam a fazer sentido, então considere a região da Lagoa da Conceição.

As praias do norte são de fato seguras para não nadadores?

Jurerê, Daniela e Praia do Forte são das mais seguras nesse litoral — ondas pequenas, entrada gradual e guarda-vidas na alta temporada. Ingleses é um pouco mais exposta e pode formar arrebentação em tardes de vento. Nenhuma exige capacidade de natação para nadar até a altura do tornozelo ou do joelho, mas supervisão adulta não é opcional em nenhuma delas.

Dá para fazer sem alugar carro?

Dá, usando táxi e Uber para os passeios do dia — o trajeto à fortaleza sai R$45 por sentido, Ingleses R$65 e a marina em Canasvieiras R$25. Isso soma cerca de R$540 em transporte ao longo de quatro dias para uma família de quatro, valor próximo ao de um aluguel. Alugue o carro; é mais fácil e permite parar no mercado.

A água da torneira é segura para as crianças?

A água da torneira em Florianópolis atende aos padrões brasileiros de potabilidade, mas tem gosto forte de cloro e não é o que os moradores bebem. Compre garrafões de 5 litros no supermercado por R$8 cada para beber e escovar os dentes; use a água da torneira para lavar. Restaurantes e quiosques servem água mineral ou filtrada por padrão.

Onde ficar

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