Top 10 coisas para fazer em Urubici, ranqueadas
Araucárias cobertas de geada acima da borda do cânion perto de Urubici, na Serra Catarinense
As 10 experiências na cidade serrana de Santa Catarina que realmente compensam as quatro horas de estrada desde o litoral, ordenadas pelo que você mais lamentaria perder.
1. Ver o nascer do sol no Morro da Igreja
O cume a 1.822 metros acima de Urubici é o ponto mais alto acessível de carro no Sul do Brasil, e às 6h de julho o termômetro no portão do parque marca menos quatro. Você dirige 26 km por estrada de terra a partir da cidade, chega ao portão do Parque Nacional de São Joaquim, caminha 400 metros e fica na borda da Pedra Furada — um arco natural furado no basalto. Numa manhã limpa, você enxerga o Atlântico a 90 km a leste, uma linha prateada fina no horizonte. Vá no primeiro dia sem nuvens da viagem; um Morro da Igreja no meio da neblina é nada além de um estacionamento gelado.
O detalhe: a estrada fecha quando a geada torna os dois últimos quilômetros perigosos, o que acontece em algumas manhãs por inverno, e o próprio parque limita a entrada às 8h aos fins de semana com teto de 40 carros. Durma em Urubici na noite anterior, não em São Joaquim, e saia às 4h45. Um 4x4 não é estritamente necessário no verão, mas os buracos depois das chuvas de outubro vão castigar um sedã baixo. A entrada custa R$25 por pessoa, só em dinheiro no portão, e não há café por 30 km — leve uma garrafa térmica.
2. Cascata Véu de Noiva e as cachoeiras em propriedade particular
O vale de Urubici tem mais de 20 cachoeiras em fazendas produtivas, e o ranking que importa é: Véu de Noiva primeiro, Avencal segundo, Salto do Rio Bonito terceiro. A Véu de Noiva cai 65 metros num poço frio o bastante para dormentar seus pés em três minutos, e o acesso é uma caminhada de 20 minutos pela Fazenda do Zé Diogo — R$20 por carro no portão. Dá para nadar embaixo da queda em janeiro e fevereiro; no resto do ano, você fotografa e vai embora. A Avencal cobra R$35 e tem um operador de rapel no local por R$180 a descida.
Pule a Cascata do Avencalzinho a menos que você tenha um dia inteiro — são 90 minutos de estrada de cascalho por uma cachoeira que a Véu de Noiva já supera. As fazendas não aceitam cartão, a sinalização é pintada à mão e o dono geralmente é a pessoa que recebe o seu dinheiro numa mesa de plástico ao lado do portão. Vá de traje de banho por baixo da roupa; o vestiário da Véu de Noiva é uma cabana de madeira com uma cortina. Em agosto, o poço tem 8°C e até os locais só olham.
3. Serra do Corvo Branco
A estrada entre Urubici e Grão-Pará atravessa uma fenda de basalto de 90 metros de profundidade chamada Serra do Corvo Branco, e os 30 minutos de asfalto são o melhor pedaço de rodovia de Santa Catarina. Você para no acostamento do quilômetro 42, caminha até a beira do penhasco e olha para baixo, para uma estrada projetada em 1973 abrindo dinamite pela rocha. No inverno as paredes seguram gelo; em outubro as flores silvestres na borda de cima são amarelas até o horizonte. Faça o trajeto uma vez de Urubici, uma vez do lado de Grão-Pará — a luz é diferente e é na segunda passada que você repara nos ninhos de condor.
Os acostamentos não têm sinalização e não há proteção, então motorista nervoso não deve tentar isso na neblina. A neblina desce rápido entre 15h e 17h no outono. Não há combustível entre Urubici e Grão-Pará, num trecho de 68 km, e não há sinal de celular na maior parte dele. Encha o tanque no Ipiranga da Avenida Adolfo Konder antes de sair, leve um casaco mesmo em fevereiro e não pare nos vendedores de queijo na subida — os bons ficam na descida, perto do quilômetro 30.
4. Cânion Espraiado e as casas dos tropeiros
Ao sul da cidade, o Cânion Espraiado é um cânion de 300 metros de profundidade em terras particulares de três famílias de agricultores que cobram R$40 por carro e permitem caminhar pela borda por trilhas sinalizadas. O circuito de 4 km leva duas horas em ritmo lento e passa pelas ruínas de casas de pedra da era tropeira — os tropeiros as construíram na década de 1880 para pernoitar na rota do Rio Grande do Sul até Lages. O cânion em si é mais silencioso do que os mais famosos de Cambará do Sul, do outro lado da divisa, e você costuma ter o último mirante só para si numa quarta-feira.
Vá pela manhã; a luz da tarde achata as paredes do cânion e o vento aumenta depois das 14h a ponto de a trilha na borda ficar genuinamente desagradável. A estrada de acesso são 12 km de cascalho a partir da SC-370 e leva 40 minutos da praça central. Há um pequeno quiosque vendendo sopa de pinhão a R$18 a tigela no inverno — pinhão sendo a semente do pinheiro-araucária, que é do que essas matas são feitas — e vale a parada mesmo se você não estiver com fome.
5. Comer pinhão na temporada (abril a julho)
A araucária derruba as pinhas entre abril e julho, e as sementes dentro — o pinhão — são o alimento que define a região. Todo restaurante na Praça Anita Garibaldi coloca pinhão no cardápio nesses meses: cozido e salgado como petisco a R$15, em paçoca de carne-seca desfiada com farinha de mandioca a R$45, num risoto entrecasca a R$65. A melhor versão da cidade é no Restaurante Barreira do Rio, na estrada do Rio Canoas, onde a mãe do dono ainda descasca à mão toda manhã. Peça o entrecasca e uma taça do hidromel local.
Fora da temporada, ainda dá para achar pinhão congelado nos pratos, mas não é a mesma coisa — o sabor fica mais farináceo e a textura vira cera. Se você visita em dezembro, está comendo uma peça de museu. Planeje a viagem para maio ou junho se a comida for o motivo, e reserve o Barreira do Rio com um dia de antecedência nos fins de semana porque tem 30 lugares e enche. Duas pessoas comem bem por R$180 sem vinho, R$240 com uma garrafa do merlot local Villaggio Grando.
6. Trilha do Rio do Índio e as inscrições rupestres
Urubici tem uma das maiores concentrações de arte rupestre pré-colonial do Sul do Brasil — inscrições em paredes de basalto estimadas em 2.000 a 4.000 anos, feitas pelos povos Jê, cujos descendentes são os atuais Kaingang e Xokleng. A Trilha do Rio do Índio, numa fazenda particular a 18 km da cidade, leva a três painéis de inscrições geométricas em uma caminhada guiada de 90 minutos. O guia é obrigatório, custa R$60, e é o ponto — a família dona da fazenda caminha essa trilha há quatro gerações e conhece cada marca na rocha.
Reserve por WhatsApp na véspera pela secretaria de turismo de Urubici; não há visita sem agendamento porque o fazendeiro conduz entre as ordenhas. Use botas — a trilha atravessa um riacho duas vezes e fica escorregadia a partir de maio. Fotografia é permitida, mas drones não, e tocar as inscrições faz o guia mandar você voltar para o estacionamento. Essa é a coisa mais interessante a se fazer em Urubici num dia nublado, e é a única experiência aqui que você não replica em Canela ou Bento Gonçalves do outro lado da divisa.
7. Caçar neve em julho, com expectativas realistas
Urubici e a vizinha São Joaquim são as duas cidades do Brasil onde a neve cai com mais frequência, mas "com mais frequência" quer dizer três ou quatro dias por ano — normalmente entre meados de junho e o começo de agosto, normalmente anunciada com 48 horas de antecedência pelo serviço meteorológico estadual Epagri/Ciram. Quando neva, a cidade inteira lota e a estrada até o Morro da Igreja fecha. Se você puder largar tudo e dirigir quatro horas desde Florianópolis numa quinta-feira à noite, verá neve uma vez a cada dois ou três invernos. Qualquer pacote vendendo "neve garantida" está te vendendo um quarto de hotel e uma mentira.
A geada, por outro lado, é quase noite após noite de meados de junho até agosto, e um nascer do sol congelado sobre a mata de araucárias na Coxilha Rica é bonito o suficiente por si só. Reserve hospedagem pensando na geada, trate a neve como bônus, e não venha em julho esperando condições alpinas — as temperaturas diurnas ainda passam de 15°C em tardes de sol e o chão fica descoberto. Uma boa jaqueta de inverno, luvas e botas são inegociáveis; snowboard é piada.
8. Vinícola Villaggio Grando
A 1.400 metros no município vizinho de Água Doce, a Villaggio Grando é uma das vinícolas comerciais mais altas do Brasil e produz tintos de clima frio de nível sério — um merlot e um cabernet franc que costumam ficar entre os premiados no Wines of Brazil. A visita é um tour com degustação de 90 minutos por R$95 que termina numa sala de barricas escavada no morro. Fica a 90 minutos de estrada de Urubici, então você compromete meia jornada, e é preciso reservar antes porque a sala recebe oito visitantes por vez e as tardes de sábado enchem com três semanas de antecedência.
Combine com o almoço no restaurante da propriedade, onde a paleta de cordeiro empanada com pinhão sai a R$140 para dois e harmoniza com o merlot que eles vão tentar te vender uma caixa na saída. Compre uma garrafa, não a caixa — dá para achar Villaggio Grando em Florianópolis pelo mesmo preço sem a dor de cabeça do frete. A volta a Urubici pela luz do fim de tarde atravessando os campos da Coxilha Rica é do tipo de cena que você fotografa e depois nunca consegue descrever direito.
9. Coxilha Rica de picape
Ao sul da cidade, a Coxilha Rica é um planalto de 300 quilômetros quadrados de campo aberto a 1.200 metros, pastoreado por gado desde 1770 e cruzado pela estrada tropeira original com suas pontes de pedra ainda intactas. Não dá para percorrê-la em carro comum — o circuito de 60 km é cascalho, lama e travessias eventuais de córrego — então você contrata um tour local de picape a R$220 por pessoa, meio período, com operadores da Avenida Adolfo Konder. O guia para na Ponte de Pedra, uma ponte de pedra sem argamassa de 1790, e numa fazenda produtiva onde te oferecem café e pão caseiro.
É mais silencioso que qualquer parte mais famosa de Urubici e revela mais da cultura real da Serra — as tradições gaúchas, as pilchas e bombachas que as pessoas usam como roupa de trabalho e não fantasia, os CTGs onde dá para assistir a fandango num sábado à noite. Se tiver três dias em Urubici, dedique um à Coxilha Rica e pule uma segunda cachoeira. Se tiver dois dias, deixe na lista de talvez. Com um dia, nem tente.
10. Pôr do sol no Morro do Cambirela
A contraparte menos conhecida do Morro da Igreja, o Cambirela fica a 20 minutos de carro a oeste da cidade e a 40 minutos de caminhada do início da trilha — uma trilha leve, sem permissão, sem taxa. A recompensa é a vista para oeste sobre o vale do Rio Canoas, que é onde a luz do pôr do sol vive em Urubici. Do fim de abril até agosto, o sol se põe atrás de uma fileira de araucárias e a temperatura cai 8°C em uma hora, então leve a jaqueta que você não achou que precisaria. No topo não há nada além de um marco de pedras e, nos fins de semana, três ou quatro carros de moradores com uma garrafa térmica de chimarrão.
Fica em décimo não por ser fraco, mas porque tudo acima é imperdível. O Cambirela é para onde você vai na sua segunda noite na cidade, depois de riscar os pontos principais e querer uma hora tranquila olhando as montanhas. Também é a resposta quando o tempo mata o Morro da Igreja — a altitude é menor e ele fica claro quando o cume mais alto está encoberto. Leve uma lanterna de cabeça; a descida no escuro é fácil, mas a trilha não é iluminada.
Antes de reservar
As perguntas que as pessoas fazem sobre Urubici, respondidas com os números deste mês.
Três dias inteiros é o ideal — um para Morro da Igreja e Corvo Branco, um para as cachoeiras e a trilha das inscrições rupestres, um para a Coxilha Rica ou a vinícola. Dois dias funcionam se você pular a vinícola. Menos de 48 horas torna as quatro horas de estrada desde Florianópolis difíceis de justificar.
Junho e julho pelo frio, pelo pinhão e pela chance de neve — mas reserve com dois meses de antecedência porque os preços dobram. Abril e maio são o ponto honestamente ideal: manhãs de geada, céus limpos, cachoeiras ainda cheias das chuvas de verão, e hotéis a R$280 a diária em vez de R$550. Evite de dezembro a fevereiro se a paisagem for o motivo — está verde, mas com neblina de calor.
Para a cidade, as principais cachoeiras e a subida asfaltada até o portão do Morro da Igreja, não — um carro comum resolve. Para a Coxilha Rica, a estrada até o Cânion Espraiado no tempo úmido e os dois últimos quilômetros até o Morro da Igreja depois de geada, sim. A resposta realista é alugar um carro comum e pagar R$220 por um tour de picape no dia em que for preciso.