O que é superestimado em Santa Catarina (e o que fazer no lugar)
Praia lotada com guarda-sóis em pleno verão
Sete atrações que consomem um dia inteiro e entregam menos do que os guias prometem, com trocas concretas.
Os beach clubs de Jurerê Internacional em janeiro
O circuito de beach clubs de Jurerê, Café de la Musique, Parador 12, P12, é o cartão-postal pelo qual as pessoas compram Santa Catarina, e na alta temporada ele entrega uma versão medíocre do que Ibiza faz melhor. Consumação mínima de R$800 a R$1.500 por pessoa, um mar que fica raso e turvo à tarde quando 3.000 pessoas estão dentro dele, e uma política musical que fica entre house de lobby de hotel e top-40. O people-watching é real; a experiência de praia não é.
A troca: vá a Jurerê para um único almoço prolongado, de preferência numa quarta ou quinta, quando a multidão rareia, e saia às 17h. Gaste o resto do orçamento de praia em um dia em Bombinhas, onde a água é mais limpa, o snorkel é genuinamente bom na Praia da Sepultura e o almoço numa peixaria da Praia de Bombas custa um terço da conta de Jurerê. Você vai lembrar de Bombinhas por mais tempo.
O desvio para o Beto Carrero World
O Beto Carrero World em Penha é o maior parque temático da América Latina, e os guias o colocam como imperdível. Vale um dia se você viaja com crianças de 6 a 12 anos. Para qualquer outro é uma viagem de 80 km desde Florianópolis, R$350 a R$450 por ingresso adulto e oito horas de fila sob sol pleno. As montanhas-russas são decentes, os shows estão datados e a comida dentro é preço de aeroporto inflado.
A troca para adultos sem crianças: pule inteiro e vá para Bombinhas ou Porto Belo, ali perto. Se tiver crianças e quiser um dia de parque, faça o Beto Carrero numa terça ou quarta fora de férias escolares, compre o upgrade de fast-pass por R$180 a R$250, chegue na abertura e saia às 16h, antes do aperto da parada. Fique em Itapema, não em Florianópolis, para encurtar o trajeto.
A foto na Ponte Hercílio Luz
A Ponte Hercílio Luz é linda e o ângulo do Instagram desde a Beira-Mar Norte é ok, mas o passeio guiado de duas horas cruzando o deck que operadoras vendem por R$120 não é. Você espera, atravessa, tira foto e volta. O centro de Florianópolis ao redor da ponte não é um bairro para perambular, e o Mercado Público, a única razão real de estar ali, fecha às 19h e o dia inteiro no domingo.
A troca: fotografe a ponte em dez minutos da ciclovia da Beira-Mar Norte ao pôr do sol de graça e depois passe duas horas no Mercado Público em dia útil, comendo pastel de camarão e tomando um caldo de cana no Box 32 entre os locais. Se quiser a vista do alto, suba até o mirante do Morro da Cruz às 18h30 para ver a cidade inteira, as duas pontes e a baía em uma tomada.
Praia dos Ingleses na alta temporada
Ingleses é onde o turismo de pacote da Argentina, do Paraguai e do Uruguai se concentra em janeiro e fevereiro. A praia tem 5 km de areia decente com água morna e calma, e em outubro ou abril é genuinamente agradável. Na alta é um muro de guarda-sóis, caixinhas de som portáteis no volume máximo, operadores em espanhol vendendo banana boat, e trânsito que transforma os 12 km desde Canasvieiras em 50 minutos de rasteirinha.
A troca: para a mesma experiência de água morna do litoral norte com um terço da multidão, dirija 15 minutos mais e chegue à Praia Brava ou atravesse o istmo até a Praia do Santinho. As duas têm areia melhor, menos vendedores e hotéis com preços 20-30% abaixo de Ingleses na mesma temporada. Se quiser especificamente o clima empacotado e caminhável de resort, reserve Canasvieiras; ela cumpre esse papel melhor que Ingleses.
As dunas de sandboard da Lagoa da Conceição
As dunas da Joaquina são uma paisagem legítima e a experiência de sandboard, uma vez só, é divertida. O que é superestimado é a forma como as agências vendem como programa de meio dia por R$80-120 incluindo transfer. Você desce uma duna de 40 metros três ou quatro vezes em 30 minutos, depois espera uma hora pelo grupo, depois é levado de volta em fila. A areia queima entre as 11h e as 16h e não há sombra.
A troca: alugue a prancha você mesmo nas barraquinhas no pé por R$25 a hora, entre a pé, fique o tempo que quiser e combine com um dia de praia na Joaquina. Melhor ainda, dirija até o lado da Lagoa da Conceição das dunas e caminhe por elas às 17h, quando a luz está boa e a areia esfriou; é uma das mais belas caminhadas curtas da ilha e totalmente de graça.
O centro de Florianópolis como base
O centro de Florianópolis é um centro brasileiro em funcionamento, não uma cidade colonial no estilo de Salvador ou Paraty. Há uma praça que merece dez minutos, a Praça XV, o Mercado Público, a Catedral Metropolitana e a Ponte Hercílio Luz de longe. Depois das 19h nos dias úteis e o fim de semana inteiro, esvazia. Não é inseguro com o cuidado básico, mas não é charmoso, e ficar em hotel aqui para economizar R$150 na diária te coloca a 30-60 minutos de qualquer praia.
A troca: se hospede na Lagoa da Conceição se quer caminhabilidade, restaurantes e acesso fácil às duas costas. Fique em Jurerê ou Canasvieiras se quer praia no hotel. Fique no Campeche para as praias do sul. Visite o centro por meio período, veja o mercado e a ponte e vá embora. É lugar para conhecer, não para dormir.
A Serra do Rio do Rastro como bate-volta
A estrada da Serra do Rio do Rastro é uma maravilha genuína, 284 curvas descendo uma escarpa de 1.400 metros com mirantes que rivalizam com qualquer coisa no Brasil. O que é oversold é fazer isso como bate-volta desde Florianópolis. São 240 km em cada sentido, cinco horas de estrada no mínimo, e o mirante no alto costuma estar na nuvem até o meio da manhã. Você gasta dez horas dentro do carro por 90 minutos de vista.
A troca: faça a serra como parte de um loop de duas ou três noites pela serra catarinense. Durma em Urubici ou Bom Jardim da Serra, dirija a Rio do Rastro cedinho, quando as nuvens ficam abaixo de você, some a Cascata do Avencal e o mirante do Morro da Igreja, e coma num restaurante de truta. A estrada recompensa a paciência; ela pune quem tenta cumprir a atração entre o café da manhã e o jantar.
Antes de reservar
As perguntas que as pessoas fazem sobre Ingleses, respondidas com os números deste mês.
Só se você estiver em Canasvieiras ou Jurerê e quiser chegar a uma praia específica sem alugar carro. Roda uma rota limitada de verão, custa cerca de R$10-15 por trecho e leva o dobro do tempo de um Uber. Para a maioria dos roteiros, um carro alugado ou um orçamento de R$80/dia em Uber a bate.
As ostras não, os passeios de barco muitas vezes sim. Uma travessia de duas horas com um almoço medíocre por R$180 desvaloriza o que é, na verdade, um grande destino gastronômico. Pule o barco, vá de carro até o Ribeirão e reserve uma mesa em uma das peixarias à beira d'água para um almoço longo e mais barato com a mesma vista.
A unidade principal em Praia do Forte, na Bahia, é famosa; a de Florianópolis, na Barra da Lagoa, é bem menor e se vê em 30 minutos. É um complemento legal se você já estiver na Barra da Lagoa com crianças, entrada de R$20-30, mas não vale uma viagem dedicada cruzando a ilha.
É de fato espetacular, com fogos de vários beach clubs ao mesmo tempo, mas os preços dos hotéis triplicam, as diárias mínimas vão de cinco a sete noites, e o trânsito em 31 de dezembro fica imóvel a partir das 16h. Se você não reservou até agosto, vá para outro lugar. Praia do Rosa e Garopaba fazem um Réveillon mais tranquilo e barato que muitos locais preferem.