Onde ficar no Campeche: a base de vila de surfe a 15 minutos do aeroporto
Praia longa e reta do Campeche com a ilha ao largo
O Campeche é a base para viajantes que querem praia e sossego a partir do mesmo endereço, e custa 30% menos que a Lagoa da Conceição por uma configuração muito parecida.
Para quem o Campeche realmente serve
O Campeche é uma praia longa e reta no leste da ilha, dez minutos ao sul do aeroporto e 15 ao sul da Lagoa. O bairro atrás dela é de baixa altura, parte vila de surfe, parte subúrbio, com pousadas, aluguéis de apartamento, uma cena gastronômica em expansão ao longo da Avenida Pequeno Príncipe e nada da infraestrutura de resort do norte. Serve a surfistas, casais que querem calma de vila de praia com boa comida por perto, trabalhadores remotos em estadias mais longas, famílias com filhos maiores e qualquer um que tenha alergia aos ritmos de beach club ou turismo de pacote de Jurerê ou Canasvieiras.
Não serve para quem quer vida noturna (não há nada a se falar depois das 23h), para quem tem limitações de mobilidade (a caminhada da maioria das pousadas até a areia leva de 5 a 15 minutos em trilhas arenosas) ou para quem quer água calma para crianças pequenas (o Campeche tem surfe de verdade o ano todo e a praia é exposta). Não é a escolha óbvia para primeira viagem, mas é a que muitos viajantes de primeira viagem acabam desejando ter reservado depois de conhecer o resto da ilha.
Quanto custa uma noite no Campeche
Pousadas no Campeche variam de R$220 a R$400 na baixa e R$380 a R$650 na alta. Aluguéis de apartamento para quatro ficam entre R$300 e R$550 na baixa, R$500 a R$850 na alta. Os pequenos hotéis mais sofisticados perto da Avenida Pequeno Príncipe chegam a R$700 a R$1.100 em janeiro. Hostels na ponta norte, perto da entrada da Rua Pequeno Príncipe, cobram R$100 a R$150 a cama. Casas de praia para seis ou oito em terrenos privativos vão de R$1.200 a R$2.500 por noite na alta.
Isso coloca o Campeche 25 a 35% mais barato que a Lagoa para qualidade equivalente, no mesmo patamar de Ingleses e 40% mais barato que Jurerê. Não é o bairro mais barato da ilha — Pântano do Sul e Armação, mais ao sul, ganham nesse quesito —, mas é o mais barato entre os bairros com uma cena gastronômica de verdade, e essa combinação é o que o torna a escolha subestimada que a maioria dos guias ignora em favor do norte.
A praia em si
A Praia do Campeche tem quase 4 km em linha reta, voltada para o leste. A areia é fina e branca, a água clara o suficiente para você enxergar os pés na altura da cintura, e as ondas são consistentes — normalmente de 1 a 2 metros, ocasionalmente 3 em um bom swell de sul. A praia nunca lota do jeito que Jurerê lota, porque não há infraestrutura de beach club e o acesso a partir da rua exige caminhar por trilhas arenosas. Mesmo em janeiro cheio, dá para andar 500 metros e encontrar areia quase deserta.
A Ilha do Campeche está logo em frente e é um dos passeios de dia mais bonitos da ilha: barcos saem da ponta norte da praia por R$150 por pessoa ida e volta, o número de visitantes é limitado e a água lá é genuinamente turquesa. Reserve o barco até as 9h na alta ou você perde o dia. Esse passeio isolado é o argumento mais forte para escolher o Campeche em vez de outras bases: fica a 20 minutos da sua pousada e é uma experiência de um dia inteiro que a maioria dos visitantes hospedados em outros lugares nunca faz.
O que fica à distância de caminhada
A Avenida Pequeno Príncipe é a espinha do bairro e concentra a maior parte da comida e das lojas. À distância de caminhada do trecho central: cerca de 20 restaurantes, de tigelas de açaí a R$30 a pratos de frutos do mar a R$150, três supermercados, duas padarias, surf shops, aluguel de prancha a R$60 por dia e trilhas de acesso à praia a cada 200 metros. O centro cultural Recanto dos Açores fica na ponta norte e recebe eventos folclóricos açorianos autênticos na maioria dos sábados da temporada.
O que exige carro: Lagoa, norte da ilha, sul além da Armação e centro de Florianópolis. O Uber funciona bem, entre R$25 e R$50 na maioria dos trajetos. A bicicleta é genuinamente útil no Campeche, porque o bairro é plano, extenso e agradavelmente livre de trânsito agressivo. Aluguéis saem por R$40 por dia. É o único bairro da ilha em que eu consideraria uma semana sem carro nem orçamento para Uber, se você se comprometer com um ritmo lento.
Campeche versus Lagoa da Conceição
Os dois atendem ao mesmo tipo amplo de viajante — independente, interessado em comida, apaixonado por praia —, mas se diferenciam de forma significativa. A Lagoa tem a cena gastronômica maior, vida noturna de verdade, melhores conexões de ônibus e nenhuma praia imediata. O Campeche tem a praia bem ali, surfe melhor, quartos mais baratos, uma atmosfera muito mais tranquila e uma cena gastronômica menor, mas genuinamente competente. A Ilha do Campeche só é acessível a partir do Campeche.
Escolha a Lagoa se comida e vida noturna importam mais do que praia imediata. Escolha o Campeche se praia e sossego importam mais do que uma faixa de restaurantes. Para uma estadia de uma semana, para um casal, eu dividiria: três noites na Lagoa, quatro no Campeche. Essa combinação mostra mais do que a ilha realmente oferece do que uma base única, e os dois bairros ficam a apenas 20 minutos de distância. Dividir bases é um conselho pouco usado e, aqui, é o movimento certo.
As estações no Campeche
Janeiro e fevereiro trazem a água mais quente (25-26°C) e as maiores multidões, embora "multidão" no Campeche signifique praia povoada, e não lotada. Os preços sobem 40% acima da baixa. De março a maio a água ainda está entre 22 e 24°C, dá para nadar, os preços caem e o surfe muitas vezes fica melhor. De junho a agosto é frio (16-20°C de ar), o mar fica entre 18 e 20°C e algumas pousadas menores fecham em dias de semana, mas a cena gastronômica continua aberta.
Setembro e outubro se recompõem, novembro é quente sem estar cheio e dezembro engata forte a partir do dia 20. O barco para a Ilha do Campeche opera o ano todo em condições decentes de tempo. As condições de kitesurfe são inconsistentes porque o Campeche olha para o mar aberto, e não para uma baía. Reserve na baixa se quiser o bairro na sua versão mais Campeche: tranquilo, quente, funcional, barato. A alta aqui ainda é calma comparada à alta em Jurerê.
Como decidir em um parágrafo
Reserve o Campeche se quiser uma vila de praia brasileira de verdade com uma cena gastronômica funcional, se surfa ou quer aprender, se valoriza o sossego mais que a vida noturna e se seu orçamento é de R$300 a R$700 por noite para um casal. Reserve especialmente se vai ficar cinco noites ou mais, porque o Campeche recompensa um ritmo lento melhor que qualquer outro bairro ao norte da Armação. Pule se você quer beach clubs, água calma para nadar ou uma faixa compacta e caminhável.
O erro a evitar é reservar o Campeche esperando um Centrinho da Lagoa depois de escurecer — o bairro está dormindo até as 23h na maioria das noites, e mesmo os restaurantes fecham a cozinha até as 22h30. Se você quer uma noite animada, dirija 20 minutos até a Lagoa. Se quer uma vila de praia que corta o barulho e realmente deixa você descansar, o Campeche faz isso melhor do que qualquer outro lugar a 30 minutos do aeroporto.
Antes de reservar
As perguntas que as pessoas fazem sobre Campeche, respondidas com os números deste mês.
É uma praia de surfe real, com ondas e correntes de retorno, segura para nadadores competentes e perigosa para nadadores fracos sem acompanhamento. Guarda-vidas operam os principais pontos de acesso na alta. Para nadar em água calma, dirija até Jurerê ou Canasvieiras. Para aprender a surfar, o Campeche é uma das melhores praias de ensino da ilha, e as escolas conhecem os trechos seguros.
Menos do que em Jurerê ou Ingleses, mais do que na Lagoa. Se você planeja comer, surfar e relaxar dentro do bairro por uma semana, uma bicicleta e Ubers ocasionais dão conta. Se quer ver o norte da ilha, o Ribeirão da Ilha ou as praias do sul, alugar a R$150 por dia é o movimento sensato. Os ônibus públicos vão ao centro, mas não são úteis para outros bairros.
Os barcos saem da ponta norte da Praia do Campeche entre 9h e 10h30, com retornos a partir das 15h. Reserve no dia, nos guichês dos operadores perto da areia — R$150 ida e volta mais uma taxa de entrada no parque de cerca de R$40 — ou pela sua pousada na véspera. A capacidade é limitada por questões de conservação, então fins de semana da alta lotam até o meio da manhã.