Onde ficar em Florianópolis: um guia por áreas para quem vai pela primeira vez
Skyline de Florianópolis visto da Ponte Hercílio Luz no fim da tarde
Escolher a base certa em uma ilha com 42 praias é a única decisão que define se você vai levar 40 minutos ou duas horas para chegar a qualquer lugar.
Para quem Florianópolis funciona como base
Florianópolis serve para o viajante que quer uma cidade de verdade de um lado e praias de surfe do outro, e que aceita que ligar as duas custa tempo. A ilha tem 54 km de extensão e a malha viária afunila tudo por duas pontes e a SC-401. Se você pretende dirigir, cozinhar algumas refeições, misturar um dia de museu com um dia de praia e tratar a viagem como uma semana, e não um fim de semana, a ilha recompensa. As diárias vão de R$ 280 a R$ 650 para um casal em hotel de padrão médio na baixa temporada, o que fica na média do estado e mais barato que Balneário Camboriú em janeiro.
Não serve para quem quer sair do hotel para uma única faixa de bares, beach clubs e restaurantes e nunca mais precisar se deslocar. Isso é Balneário Camboriú ou Jurerê. Florianópolis é uma cidade distribuída: o centro é administrativo, o norte é resort, o leste é surfe e lagoa, o sul é rural. Escolha uma e comprometa-se, ou fique no centro e dirija. Tentar dormir em algum ponto "central" e estar em todo lugar é o erro clássico de quem vai pela primeira vez e queima três horas por dia no trânsito.
Centro e o lado continental
O centro de Florianópolis, em torno da Praça XV e da Rua Felipe Schmidt, é onde saem as diárias mais baratas de segunda a quinta na ilha: R$ 220 a R$ 380 por um três estrelas decente. O Mercado Público, o terminal de barcos para Anhatomirim e o hub de ônibus no TICEN ficam todos a dez minutos a pé. É a única parte da ilha onde você genuinamente não precisa de carro, e a única com uma cena de restaurantes que funciona até tarde nas terças de junho.
O detalhe é que o centro não é uma base de praia. A praia mais próxima com banho fica a 25 minutos de carro em Jurerê ou 40 minutos na Lagoa. O centro também esvazia depois das 20h em dias de semana fora do eixo principal, e o trecho entre a rodoviária e a alfândega antiga é para atravessar rápido, não passear depois de escurecer. Reserve no centro se você fica duas noites antes de pegar um ônibus, se encontra pessoas que chegam e partem de avião, ou se a prioridade são as ostrarias do Mercado Público em vez da areia.
Norte da ilha: Jurerê, Canasvieiras, Ingleses
O norte é onde os pacotes turísticos aterrissam. Jurerê Internacional é a faixa endinheirada com beach clubs cobrando cover de R$ 180. Canasvieiras é o resort de família argentina, com casais em quartos de R$ 300 e uma baía calma. Ingleses é o bairro-resort maior, o mais barato dos três, com hotéis a partir de R$ 240 e uma praia longa e movimentada, com escolas de surfe e barracas de pastel. Os três ficam a 30-45 minutos do aeroporto e cerca de uma hora do centro com trânsito.
Escolha o norte se você quer pé na areia em cinco minutos ao sair do quarto, se viaja com crianças, ou se prefere o ritmo beach club e caipirinha ao ritmo surfe e trilha. Pule o norte se quiser explorar o resto da ilha com facilidade, porque ir a qualquer lugar ao sul da saída da SC-401 significa uma hora por trecho. Reserve Jurerê pelo estilo, Canasvieiras pela calma familiar, Ingleses pelo custo-benefício.
Leste: Lagoa da Conceição e Barra da Lagoa
A Lagoa da Conceição é a melhor base geral da ilha para viajantes independentes na casa dos vinte, trinta e quarenta. Você tem uma lagoa para kitesurfe e stand-up paddle, dez minutos até as praias de surfe da Joaquina e da Mole, uma boa cena de restaurantes e bares na Rua das Rendeiras e no Centrinho, e ligação razoável de ônibus com o centro. Diárias vão de R$ 320 a R$ 550, pousadas a partir de R$ 220. É a base que exige menos concessões se você quer praia, vida noturna e comida a partir de um mesmo endereço.
As contrapartidas são reais. Estacionar no Centrinho num sábado à noite é um problema genuíno, a lagoa em si não é para nado tradicional, e nos fins de semana de verão a SC-406 vira um engarrafamento de 40 minutos. Reserve na Lagoa se pretende alugar um carro e usar a ilha de verdade. Pule se quiser caminhar do hotel até uma faixa de bares sem cruzar três avenidas, ou se está aqui especificamente pelas baías calmas do norte.
Sul: Campeche, Armação, Pântano do Sul
Ao sul do aeroporto, a ilha se torna rural. Campeche é uma praia de surfe longa e reta, com clima de vila descontraída e pousadas a partir de R$ 260. Mais ao sul, Armação e Pântano do Sul têm pousadas de vila de pescadores por R$ 200-400, botecos de frutos do mar servindo anchova grelhada inteira por R$ 90 e praias como Lagoinha do Leste, que exigem 40 minutos de trilha. É a parte da ilha que ainda parece Santa Catarina, e não uma faixa de resort.
O sul serve para surfistas, caminhantes, casais que querem sossego e para quem fica mais de cinco noites e busca uma mudança de ritmo. Não serve para quem está sem carro — o serviço de ônibus é escasso e lento — nem para quem quer vida noturna, porque a maior parte do Pântano do Sul já dorme às 22h. É também a parte mais úmida da ilha em um sistema de vento sul. Reserve o sul para a segunda metade de uma viagem mais longa, não a primeira.
Quanto custa a diária por região
Janeiro e fevereiro são caros em toda a ilha e os preços praticamente dobram em relação a abril ou outubro. No pico, um três estrelas decente em Jurerê chega a R$ 900, a Lagoa fica em R$ 650, Ingleses em R$ 500, centro em R$ 450 e pousadas no Pântano do Sul em R$ 550. A baixa, ou seja, março, abril, setembro, outubro e novembro, é quando Florianópolis vira bom negócio: R$ 280 a R$ 450 pelos mesmos quartos, calor suficiente para praia na maioria dos dias e sem trânsito.
Em comparação com o restante de Santa Catarina, Florianópolis fica na média. É mais barata que Balneário Camboriú no pico, mais cara que Bombinhas ou Garopaba na baixa, similar a Itapema o ano todo. A taxa do aeroporto e os preços de supermercado na ilha somam cerca de 15% a uma viagem contra o continente. Viajantes com pouco orçamento devem olhar hostels na Lagoa ou na Barra da Lagoa a partir de R$ 90 a cama, ou pousadas familiares em Campeche e Pântano do Sul em vez da faixa norte.
Como escolher em um parágrafo
Se é sua primeira viagem e você quer uma base por uma semana, reserve na Lagoa da Conceição e alugue um carro. Se viaja com crianças pequenas, reserve em Canasvieiras ou Jurerê e fique parado. Se surfa, reserve em Campeche ou na Praia Mole. Se são duas noites de conexão, reserve no centro e caminhe. Se quer gastar, reserve em Jurerê. Se quer gastar o mínimo possível na alta temporada, reserve em Ingleses fora da praia ou em uma pousada em Armação.
O erro é reservar hotel no centro e esperar ir à praia todo dia, ou reservar em Jurerê e achar que verá o sul. A ilha recompensa quem se compromete com uma região. Duas bases ao longo da semana — três noites ao norte, quatro ao sul, ou quatro na Lagoa e três no Pântano — é o formato que os locais recomendam e é o que produz a viagem de que os visitantes se lembram, em vez de guardar mágoa.
Antes de reservar
As perguntas que as pessoas fazem sobre Ingleses, respondidas com os números deste mês.
Sim, nas áreas em torno da Praça XV, do Mercado Público e da Rua Felipe Schmidt durante o dia e o começo da noite. As quadras ao norte da rodoviária e os viadutos perto da alfândega antiga são para evitar depois de escurecer. Pegue táxi ou Uber para as quatro quadras entre o terminal de barcos e a faixa principal de hotéis, se for tarde.
Se você fica no centro ou em Jurerê e não pretende se mover, não. Para qualquer outra região, sim. Ônibus entre o norte e o sul da ilha rodam com horários pouco frequentes, e as tarifas de Uber da Lagoa até o Pântano do Sul beiram R$ 90 por trecho. Um aluguel a R$ 150 por dia se paga em três viagens.
A Lagoa da Conceição, pela variedade e qualidade, com as ostrarias da Rua das Rendeiras, os bares do Centrinho e Ribeirão da Ilha a dez minutos ao sul para os melhores frutos do mar da região. O centro tem o Mercado Público para o almoço. Jurerê tem beach clubs, não restaurantes propriamente ditos. O sul tem grelhados de vila de pescador que superam qualquer coisa na faixa norte em preço e frescor.