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Bate e volta a Urubici saindo de Santa Catarina

A serra catarinense fica a 3 horas do litoral. Um bate-volta é apertado, mas possível; R$220 cobrem combustível, ingressos e almoço.

Guia
Bate-voltas
Duração
6 min de leitura
Região
Santa Catarina
Paredões de basalto do Morro da Igreja, na Serra Catarinense Paredões de basalto do Morro da Igreja, na Serra Catarinense

Um bate-volta é realista?

Por pouco. São 200 km em cada sentido, quase tudo pela BR-282, com curvas de montanha nos últimos 40 km. Saia de Florianópolis às 06:00 e tente estar no Morro da Igreja às 09:30, quando o estacionamento enche. Você vai passar 6 horas dirigindo para ter 6 horas em Urubici — só funciona se você for um motorista confiante na serra. Do contrário, durma uma noite na Pousada Vale Encantado (R$220 o casal) e faça direito.

Não há ônibus direto que chegue ao Morro da Igreja ou à Pedra Furada, então isso só funciona com carro próprio ou alugado em Florianópolis, a partir de uns R$140 a diária. A rota não tem pedágio, e é por isso que o orçamento de R$220 estica para cobrir combustível, entradas e almoço em vez de ser consumido no caminho. Encha o tanque antes de Rancho Queimado — o combustível na própria Urubici custa 10-15% acima dos preços do litoral. Se você não se sente à vontade em acostamento de cascalho e neblina, acrescente o pernoite e esqueça a saída às 06:00.

Três paradas que justificam a viagem

Morro da Igreja, a 1.822 m, o ponto habitado mais alto do sul do Brasil, entrada gratuita mas limitada a 200 carros por dia. Cascata do Avencal, cachoeira de 100 metros, entrada R$30 com rapel opcional por R$180. Pedra Furada, um arco natural de rocha, entrada R$20, 20 minutos de caminhada. Almoço no Cantinho de Neve, na cidade, prato feito serrano por R$38, ou o churrasco de ovelha do Restaurante Casa da Serra por R$65. Em julho, espere flocos de neve — a estrada fica boa, a não ser que haja alerta de gelo ativo.

Se você só conseguir duas paradas, escolha Morro da Igreja e Pedra Furada — ficam dentro da mesma estrada de acesso protegida, então uma subida cobre as duas e economiza 40 minutos em relação a uma ida separada à Cascata do Avencal. O adicional do rapel no Avencal só vale se você nunca rapelou; os frequentes dizem que a descida é curta o bastante para parecer mais foto do que descida de verdade. Pule as barracas de "mirante" na beira da estrada que cobram R$10 por uma vista que aparece de graça 200 metros adiante — existem puramente para os ônibus de excursão.

Como chegar e a estrada em si

De Florianópolis, pegue a BR-282 rumo oeste passando Rancho Queimado e Alfredo Wagner, e depois entre na SC-438 no trevo de Bom Retiro para os últimos 27 km de subida até Urubici. A estrada é totalmente asfaltada até o trecho final para o Morro da Igreja, que vira cascalho compactado por uns 8 km — transitável num hatch em tempo seco, desagradável em temporal. Estacionar no portão do Morro da Igreja custa R$10 por carro, cobrado pela associação local que também limita as entradas diárias a 200 veículos.

Conte 3 horas em cada sentido se você sair antes de a neblina chegar, por volta das 10:00; depois disso, as curvas atrasam todo mundo, com ou sem experiência. Há dois postos na cidade, ambos cobrando acima das bombas do litoral, então abasteça em Lages ou Alfredo Wagner se estiver passando no meio da manhã. O sinal de celular cai em trechos da SC-438, então baixe mapas offline antes de sair — depender de navegação em tempo real aqui é o motivo mais comum de quem faz o bate-volta chegar depois de o limite do estacionamento ser atingido.

Desvio pela Serra do Corvo Branco

Vinte minutos ao sul da cidade, a estrada da Serra do Corvo Branco corta um cânion estreito de rocha na descida para Grão-Pará, com um túnel escavado à mão e paredões verticais dos dois lados. São 24 km de cascalho, reabertos nos últimos anos após reparos de deslizamento, e o desvio acrescenta quase duas horas de ida e volta se você dirigir até o mirante da Janela do Corvo Branco e voltar em vez de descer a serra inteira.

É a estrada mais fotografada da Serra Catarinense, e com razão, mas só em tempo seco — depois da chuva a superfície vira barro vermelho escorregadio e os despenhadeiros não têm guard-rail. Se você já está espremendo um bate-volta, este é o desvio a cortar primeiro; guarde-o para a versão com pernoite, quando houver luz do dia de sobra. Um sedã comum dá conta com tempo bom, não precisa de 4x4 para o trecho até o mirante.

Physalis, queijo e a feira de sábado

Urubici se apresenta como a maior produtora de physalis do Brasil, a frutinha dourada vendida em bandejas nas barracas de beira de estrada por cerca de R$15 o quilo — vale pegar na saída da cidade, já que quase não aparece nos mercados de Florianópolis. A Feira do Produtor Rural, nas manhãs de sábado, das 07:00 até por volta das 13:00, perto da praça principal da cidade, é onde os moradores compram peças de queijo serrano (uns R$40/kg) e potes de mel de montanha (R$25 o pote) direto dos pequenos produtores.

Se o seu bate-volta cair num sábado, reserve 30 minutos aqui antes de subir para o Morro da Igreja — a feira esvazia por volta do meio-dia e o queijo bom sai primeiro. A truta é a outra especialidade local; vários pesque-pagues de truta ao redor da cidade vendem o peixe por peso e o grelham na hora, opção mais barata e mais fresca que os pratos de truta de menu fechado dos restaurantes principais.

Quando ir e o que levar

De junho a agosto vêm as noites mais frias, geada frequente na maioria das manhãs e a chance remota de neve de verdade três a cinco vezes por inverno — essa é a janela para caçar neve, não a janela para cachoeiras, já que a vazão da Cascata do Avencal cai bastante na estação seca. De novembro a abril as cachoeiras ficam mais cheias e os dias mais quentes, mas também vêm as tempestades de fim de tarde que podem fechar o trecho de cascalho perto do Morro da Igreja sem aviso.

Seja qual for a estação, prepare-se para uma variação de 15-20°C entre o amanhecer e o meio-dia — um fleece ou jaqueta não é opcional nem no verão, e luvas valem o peso extra em julho. Use sapato de verdade, não sandália, para a caminhada da Pedra Furada e para o mirante do Corvo Branco, ambos sobre rocha irregular. Confirme por telefone com a secretaria de turismo de Urubici a situação do acesso ao Corvo Branco antes de sair se tiver chovido nas 48 horas anteriores.

Perguntas frequentes

O que as pessoas perguntam antes de encarar esta.

Quando neva em Urubici?

De junho a agosto, esporadicamente, talvez 3-5 vezes por inverno. Geada é muito mais comum do que neve de fato.

Preciso de 4x4?

Não para as atrações principais em tempo seco. Para as trilhas até a Serra do Corvo Branco, sim.

Quanto frio faz?

As noites de inverno chegam a -5°C. Mesmo no verão os dias começam a 8°C. Leve jaqueta em qualquer estação.

Tem vinícolas?

Tem — Vinícola Villaggio Bassetti e Vinícola Suzin, ambas com degustações de R$50 a R$70, agendáveis por WhatsApp.

Existe transporte público de Florianópolis a Urubici?

Nenhum ônibus direto chega às atrações em si; os ônibus regionais ligam a Lages ou Rio do Sul com baldeações, o que torna o bate-volta inviável sem carro. Alugar no aeroporto de Florianópolis é a opção realista para a maioria dos visitantes. Reserve o tempo extra das baldeações se for depender de ônibus.

Dá para fazer Morro da Igreja, Pedra Furada e a estrada do Corvo Branco em um dia?

Só se você pular o almoço na cidade e começar antes das 07:00. A maioria de quem tenta as três chega de volta a Florianópolis depois da meia-noite. É mais seguro e mais prazeroso dividir na versão com pernoite.

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