Santa Catarina de carro: um roteiro de 3 dias pela Serra Catarinense
Estrada de montanha sinuosa subindo por floresta de araucárias na Serra Catarinense acima de Urubici
Um circuito de 420 quilômetros pela serra com 11 paradas fixas, tempos de estrada honestos e onde dormir a cada noite.
Dia 1 pela manhã: Florianópolis a Alfredo Wagner
Saia de Florianópolis até as 07:30 para livrar a BR-282 antes do trânsito de caminhão engrossar. Os primeiros 90 quilômetros até Rancho Queimado são pista dupla rápida, aí a estrada estreita e começa a subir. Pare nas bancas de morango de Rancho Queimado no km 85 — R$15 compram um quilo na safra (agosto a novembro), e o café das padarias de beira de estrada sai por R$4 com uma fatia de cuca. Daqui até Alfredo Wagner são mais 40 minutos de curvas. Não passe de 60 km/h na descida para o vale do Rio Itajaí; as defensas são novas, mas o barranco é real, e a neblina costuma ficar no vale até as 10:00.
Alfredo Wagner em si é cidade de combustível e almoço, não destino. Encha o tanque aqui — o próximo posto confiável fica 90 quilômetros à frente, em Bom Retiro — e coma num dos por-quilo da avenida principal por R$55 por pessoa. A Cascata do Avencal, 12 quilômetros fora da estrada por uma estrada de terra bem cuidada, vale o desvio: uma cachoeira de 100 metros com uma via ferrata que sai por R$180 com guia. Reserve duas horas incluindo a ida e a volta. Vise estar de volta na BR-282 até as 14:30 para chegar a Urubici com luz.
Dia 1 à tarde: a subida até Urubici
O trecho de Bom Retiro a Urubici são os 70 quilômetros mais bonitos do estado e o trecho em que os motoristas erram. A estrada sobe de 900 a 1.400 metros numa série de ferraduras, e a temperatura cai oito graus na subida. Em julho, dá para estar 4°C no alto quando estava 18°C embaixo, então deixe um fleece no chão do passageiro em vez de no porta-malas. Dois mirantes valem a parada: o acesso ao Morro da Igreja no km 217 (uma alça de 22 quilômetros, então guarde para o Dia 2) e o desvio sem nome no km 231, onde todo o vale do Rio Canoas se abre.
Chegue a Urubici até as 17:00. Durma numa das pousadas ao longo da SC-370 rumo à Serra do Corvo Branco — as que ficam entre dois e cinco quilômetros de saída da cidade estão sobre propriedades rurais em atividade, custam de R$380 a R$550 a noite com café da manhã e têm lareira a lenha que você vai usar mesmo em março. Na cidade em si as opções são mais baratas (R$220 a R$300), mas você perde o silêncio e a vista de estrelas. Jantar é truta em qualquer dos restaurantes especializados perto da Praça Anita Garibaldi, R$85 pelo peixe inteiro com polenta e salada.
Dia 2: Morro da Igreja, Pedra Furada e a rota do vinho de São Joaquim
Comece o Dia 2 às 07:00 para chegar à porteira do Morro da Igreja antes de a janela da neblina fechar às 09:00. A estrada de acesso de 22 quilômetros é asfaltada até a portaria do parque (R$25 por pessoa) e depois mais dois quilômetros de cascalho ruim — carro normal passa devagar, mas evite após chuva forte. O mirante da Pedra Furada fica a 1.822 metros, o ponto mais alto do sul do Brasil acessível por carro, e o arco natural na rocha emoldura uma queda vertical no vale do Rio Pelotas. Reserve 90 minutos no local incluindo a caminhada a partir do estacionamento. Numa manhã limpa você vê 60 quilômetros; numa ruim, 20 metros.
De volta por Urubici, pegue a SC-438 rumo a São Joaquim. Esta é a região vinícola mais alta do Brasil, plantando Sauvignon Blanc e Pinot Noir acima de 1.200 metros, e quatro vinícolas recebem walk-ins com uma hora de aviso. Reserve a Villa Francioni pela arquitetura (tour e degustação de quatro vinhos, R$120), a Suzin pelo clima familiar (R$60 com tábua de queijos) e almoce na que tiver cozinha aberta naquele dia. Chegue a São Joaquim até as 17:00. Durma na cidade num dos hotéis de faixa média perto da Praça João Ribeiro por R$320 a noite, ou 15 quilômetros fora numa pousada de fazenda de maçã por R$450.
Dia 3 pela manhã: Serra do Rio do Rastro
Este é o dia em que o roteiro justifica a fama. Saia de São Joaquim até as 08:00 pela SC-390 rumo a Bom Jardim da Serra. A cidade fica a 40 quilômetros e uma hora de estrada fácil; pare no Mirante da Serra do Rio do Rastro antes da descida para um café (R$6) e para checar se a estrada abaixo está limpa. Se você consegue ver o fundo do vale, desça. Se a nuvem está pousada na escarpa, espere 40 minutos — geralmente sobe até as 10:30.
A descida em si tem 12 quilômetros e cai 1.000 metros numa sequência de curvas em U que fizeram a estrada famosa. Faça toda ela em segunda marcha, não use freio para segurar velocidade (vai perder eficácia) e pare em cada um dos quatro mirantes sinalizados, porque cada um enquadra as curvas abaixo de um ângulo diferente. Motociclistas fazem essa estrada como peregrinação e tratam curvas cegas como propriedade privada; dê espaço. No fim, Lauro Müller não tem nada de especial, mas tem posto e um buffet de almoço decente por R$50.
Dia 3 à tarde: volta ao litoral por Orleans e Tubarão
De Lauro Müller, a SC-390 segue por Orleans, onde o Museu ao Ar Livre Princesa Isabel guarda um moinho de água em funcionamento e uma feira ítalo-alemã aos domingos que rende 45 minutos se você acertar o horário (entrada R$15). Caso contrário, siga direto até Tubarão, 60 quilômetros de estrada plana por campo, uma hora tranquila. Tubarão não é parada, é decisão: a BR-101 ao norte de volta a Florianópolis tem 130 quilômetros e leva pouco menos de duas horas em trânsito normal, ou você vira ao sul por mais 40 minutos e encerra a viagem na praia em Garopaba ou na Praia do Rosa.
Se seu voo é no fim da noite do dia seguinte, o final na praia é o melhor — você troca um desvio litorâneo apressado por uma manhã lenta à beira do mar. Durma no Rosa numa das pousadas acima da Praia Vermelha, aproximadamente R$480 a R$650 na baixa temporada, e dirija os últimos 90 minutos ao aeroporto no Dia 4. Se precisa estar de volta em Florianópolis hoje, mire sair de Tubarão até as 15:30 para chegar à ilha antes de escurecer; a BR-101 é mais segura com luz do dia e os pedágios somam R$28 em dinheiro ou tag.
Quanto o roteiro efetivamente custa
Três dias de combustível para um sedan pequeno fazendo o circuito completo de 420 quilômetros mais o desvio ao Morro da Igreja sai por cerca de R$380 nos preços atuais. Os pedágios somam R$52 na ida e volta. Duas noites em pousada de faixa média — uma em Urubici, uma em São Joaquim — totalizam R$780. Três almoços a R$55, dois jantares a R$85 e cafés da manhã inclusos deixam a comida em R$335. Degustações de vinícola e a entrada do Morro da Igreja somam R$205 por pessoa. Isso dá R$1.752 total para um viajante, R$2.400 para dois dividindo quarto. Some R$120 por dia se você quiser comer nos restaurantes mais caros de São Joaquim, dos quais três valem o dinheiro.
O aluguel do carro em si é a variável que muda tudo. Um Onix ou Argo básico saindo do aeroporto de Florianópolis vai de R$140 a R$180 por dia na baixa, R$240 em janeiro. Pegue o menor carro em que couber — as estradas de montanha recompensam uma entredistância curta e castigam qualquer coisa mais larga que um Toyota Corolla nas curvas mais fechadas da Serra do Rio do Rastro. Seguro completo é inegociável nesse roteiro; as pedras na estrada de acesso ao Morro da Igreja comem pneu, e um único corte de lateral num contrato de franquia compartilhada custa mais do que os três dias inteiros de aluguel.
Quando fazer esse roteiro e quando não
Abril a junho e setembro ao começo de novembro são as janelas honestas. Temperaturas em altitude ficam entre 6°C à noite e 20°C durante o dia, as estradas estão secas e as janelas de neblina são curtas o bastante para se planejar em cima. Julho traz geada, neve ocasional no Morro da Igreja e a multidão turística que vem para ver — as tarifas de hotel dobram, os restaurantes exigem reserva com uma semana, e a Serra do Rio do Rastro às vezes fecha por gelo. Dezembro a março é quente, mas úmido; as curvas viram genuinamente perigosas em chuva forte, e as vistas somem atrás de nuvem baixa por dias.
Não tente esse circuito num único dia longo. Já foi feito — 14 horas de volante é tecnicamente possível — mas você perde todos os mirantes que fizeram as estradas famosas e chega em casa mais cansado do que quando saiu. Duas noites é o mínimo. Três noites, adicionando um segundo dia em Urubici para a Cascata do Rio dos Bugres e a trilha do cânion do Bugre, é a versão que faz as pessoas irem para casa já planejando voltar. Mais do que isso e você deveria estar adicionando o litoral, não mais tempo de montanha; o planalto recompensa foco, não permanência.
Antes de reservar
As perguntas que as pessoas fazem sobre Urubici, respondidas com os números deste mês.
Sim, em tempo seco e com luz do dia, em segunda marcha, com motorista que já pegou estrada de montanha antes. É uma pista dupla asfaltada com defensas. Evite em chuva, evite depois do escuro e não tente se seus freios cantam no plano — vão perder eficácia na descida.
Pode, e coloca a subida da Serra do Rio do Rastro no Dia 1 em vez do Dia 3, o que alguns motoristas preferem. A contrapartida é que você chega a Urubici já cansado e perde a aclimatação que a subida mais suave pela BR-282 oferece. Ambos os sentidos funcionam; o horário é a escolha mais comum.
Não. Toda estrada do roteiro é asfalto ou cascalho bem cuidado que um Fiat Argo faz sem drama. A única exceção são os dois últimos quilômetros até o mirante do Morro da Igreja após chuva forte, quando os sulcos ficam fundos — nesse caso, pare no último trecho seco e caminhe os 20 minutos restantes.
Irregular. Vivo e Claro cobrem as cidades e cerca de 70% da BR-282. A estrada de acesso ao Morro da Igreja e a descida da Serra do Rio do Rastro têm zonas mortas longas. Baixe mapas offline em Florianópolis antes de sair e avise alguém sobre seus pontos de pernoite.