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Rota de carro pela Serra Catarinense: 4 dias de Florianópolis a São Joaquim e volta

2026-02-115 min de leituraDestinoSC
Estrada de montanha sinuosa em meio à mata de pinheiros no planalto da Serra Catarinense Estrada de montanha sinuosa em meio à mata de pinheiros no planalto da Serra Catarinense

Um circuito de 720 km por cânions, vinícolas e as cidades mais frias do Brasil, com 4 noites e um plano de combustível.

Dia 1: Florianópolis a Urubici via Alfredo Wagner

Saia de Florianópolis até as 8h pela BR-282 sentido oeste. A rodovia é duplicada até São José, depois pista simples e cheia de caminhões até Rancho Queimado no km 60. Pare para um café com morcilha em uma das padarias de estilo colonial na avenida principal da cidade — as que têm forno a lenha atrás do balcão, não as das redes de posto de combustível. De Bom Retiro em diante a estrada sobe pra valer: 900 metros de altitude em 40 km de curvas conhecidas localmente como a irmã menor da Serra do Rio do Rastro. A temperatura cai de 8 a 10°C nesse trecho mesmo no verão. Tempo total de viagem com paradas: 4h30.

Chegue a Urubici para um almoço tardio em um restaurante rural servindo truta — a cidade cria truta arco-íris em tanques de água fria e todo cardápio tem a peixe grelhada, empanada ou em ravióli. Considere R$70 a R$95 por pessoa com uma taça de vinho local. À tarde: suba 18 km até o Morro da Igreja e o mirante da Pedra Furada (aberto até as 17h, entrada R$30), o arco de pedra mais fotografado do Brasil. Durma na própria Urubici em uma pousada de faixa média entre R$380 e R$520; as opções mais baratas de R$180 a R$240 ficam na entrada da BR-282, são adequadas mas barulhentas.

Dia 2: cachoeiras de Urubici e a estrada para São Joaquim

A manhã é para cachoeiras. A Cascata Véu do Segredo exige 40 minutos de trilha e cobra R$25 na porteira; a Cascata do Avencal tem acesso de carro com elevador descendo o paredão por R$45 e leva uma hora. Escolha uma, não as duas, a não ser que tenha pulado a Pedra Furada. De volta à cidade até 12h30 para almoço em uma padaria — a influência germano-italiana significa bom pão de fermentação natural e frios de qualidade por R$25 a R$35 o prato. Abasteça antes de sair: os dois postos de Urubici são mais baratos que qualquer coisa em São Joaquim, e a SC-430 não tem posto por 62 km.

A SC-430 até São Joaquim atravessa pomares de maçã e é um dos passeios de carro mais bonitos do sul em 90 minutos, em especial em abril e maio, quando as folhas mudam de cor. A própria São Joaquim é uma cidade de trabalho, não de turismo — espere pousadas funcionais entre R$260 e R$380 em vez de charme boutique. O prêmio é o que fica em volta: as vinícolas Santa Augusta e Villa Francioni estão a menos de 12 km e ambas fazem degustações à tarde por R$60 a R$120 incluindo quatro taças. Reserve com antecedência em julho e agosto, quando os brasileiros chegam atrás de neve. Durma no centro de São Joaquim para ter opções de jantar a pé.

Dia 3: Serra do Rio do Rastro e a descida a Laguna

Este é o dia em que a rota ganha a fama que tem. Saia de São Joaquim às 9h em direção a Bom Jardim da Serra, 35 km a leste pela SC-390. O Mirante da Serra do Rio do Rastro fica a 1.460 metros e olha para 284 curvas fechadas descendo até a planície costeira. Chegue antes das 11h — depois disso, ônibus de excursão enchem o pequeno estacionamento e a luz achata a paisagem. Há uma cafeteria no mirante com café razoável a R$12 e souvenirs caros. Dê 40 minutos ao mirante e depois faça a descida em si, devagar, em segunda marcha. O asfalto é bom, mas os abismos são sem proteção em vários pontos.

Na base, em Lauro Müller, você já está de volta ao calor subtropical. Siga para Laguna para o almoço (2h do mirante, incluindo a descida) e coma frutos do mar na orla — peixe grelhado com cerveja por R$85. À tarde: o centro histórico é uma pequena malha colonial do século XVIII que rende 90 minutos a pé, e o Farol de Santa Marta está a 18 km ao sul por uma estrada parcialmente de terra. Durma no centro histórico de Laguna em uma casa colonial reformada por R$320 a R$480, ou avance 30 minutos ao norte até Garopaba para uma base de praia entre R$450 e R$650.

Dia 4: a estrada da costa de volta a Florianópolis

A tentação no dia 4 é queimar a BR-101 em duas horas. Não faça isso. Pegue a SC-434 e a SC-100, no litoral, passando por Garopaba, Praia do Rosa, Imbituba e Guarda do Embaú — uma viagem de 4 horas com três paradas para banho de mar transforma a volta no melhor dia de praia do roteiro. Rosa tem as melhores caminhadas de costão; Guarda do Embaú tem a travessia da foz do rio, em que você paga R$8 a um barqueiro para levá-lo até a praia. Deixe uma roupa de banho acessível no carro, não enterrada no porta-malas.

Almoce em um quiosque de praia em Guarda ou Silveira: camarão frito, arroz, farofa e cerveja por R$70 a R$90. Chegue a Florianópolis no fim da tarde pela SC-405 dos fundos até o Campeche, evitando o pedágio da BR-101 e o trânsito de São José. Distância total do circuito: 720 km, mais ou menos R$380 em combustível para um carro pequeno a gasolina, mais R$45 em pedágios e cerca de R$220 em entradas de mirantes e cachoeiras. Se você embarca à noite, calcule 90 minutos do Campeche até o aeroporto de Floripa, incluindo o desembarque; durma perto da Lagoa da Conceição se tiver voo de manhã.

O que pular nesse circuito

Pule as vinícolas de São Joaquim se já conhece o Vale dos Vinhedos no Rio Grande do Sul — a escala aqui é uma fração e os preços parecidos. Pule o elevador da Cascata do Avencal se seus joelhos funcionam: os R$45 economizam 15 minutos de uma volta de 30 que é parte do sentido do passeio. Pule dormir em Bom Jardim da Serra, a não ser que queira ver o mirante no nascer do sol — a cidade tem três pousadas, todas caras, R$450+, porque são as únicas opções para quem persegue a luz.

Pule Treze Tílias neste roteiro. É uma cidadezinha adorável de tema tirolês, mas fica a três horas a noroeste de São Joaquim e não cabe em um circuito de quatro dias sem estripar um dos outros. Se Treze Tílias for indispensável, faça uma semana separada combinando com Joinville e Blumenau. O circuito da Serra funciona porque é justo — Urubici, São Joaquim e a descida da Serra do Rio do Rastro estão todos a menos de 90 minutos entre si, e o litoral de volta é bônus, não meio-termo.

Combustível, pedágios e condições de estrada

Os preços do combustível na Serra ficam de 8 a 12% mais altos que em Florianópolis — R$6,20 contra R$5,60 o litro no começo de 2026. Abasteça em São José ou Palhoça antes de começar, depois de novo em Urubici (mais barata que São Joaquim) e depois em Lauro Müller, na descida. A BR-282 tem um pedágio em Rancho Queimado (R$14 por sentido) e a SC-390 é sem pedágio. As estradas estão asfaltadas em todo o circuito; os únicos trechos de terra são os últimos 4 km até o Farol de Santa Marta e alguns desvios rurais até cachoeiras menores, que dá para pular.

No inverno (junho a agosto), geadas são comuns em Urubici e São Joaquim durante a madrugada, e a estrada da Rio do Rastro fecha ocasionalmente por algumas horas após neve — confira as redes sociais da Polícia Rodoviária Estadual na manhã em que for descer. O verão (dezembro a fevereiro) traz tempestades à tarde que tornam a descida genuinamente perigosa; faça esse trecho antes das 13h. Um hatchback pequeno resolve — não há necessidade de 4x4 a não ser que você planeje estradinhas de terra até cachoeiras remotas, caso em que um SUV compacto por R$180 a R$220 a diária, alugado no aeroporto, compensa.

Onde dormir, noite por noite

Noite 1 (Urubici): fique em uma pousada de faixa média na estrada do Morro da Igreja, a 3-5 km da cidade. Você tem quartos revestidos de pinho, fogão a lenha, café da manhã com queijo e geleias locais, e silêncio. R$380 a R$520 o casal. As opções no centro são mais baratas (R$220 a R$320), mas o barulho dos caminhões da BR-282 começa às 5h. Evite as pousadas de R$180 fundo do poço, a não ser que esteja mesmo apertado — o aquecimento faz diferença aqui de maio a setembro.

Noite 2 (São Joaquim): centro da cidade para jantar a pé, R$260 a R$380 o casal em uma pousada familiar. Noite 3 (Laguna ou Garopaba): centro histórico de Laguna a R$320 a R$480 pelo charme colonial, ou frente-praia de Garopaba entre R$450 e R$650 no verão, R$280 a R$380 fora da temporada. Se você quiser um único luxo na viagem, ponha na noite 3 na Praia do Rosa em uma pousada de costão — R$700 a R$1.100 compram vista para o mar e uma piscina bem aquecida, e transformam uma viagem de carro num feriado de verdade.

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Antes de reservar

As perguntas que as pessoas fazem sobre São Joaquim, respondidas com os números deste mês.

Dá para fazer esse circuito em 3 dias em vez de 4?

Dá, mas você abre mão das cachoeiras de Urubici ou do retorno pela costa. A versão mais apertada em 3 dias é Floripa-Urubici (dia 1), Urubici-São Joaquim-Rio do Rastro-Laguna (dia 2, dia duro de estrada) e Laguna-Floripa pelo litoral (dia 3). Funciona, mas você fica de 6 a 7 horas ao volante no dia 2.

Alugar carro é essencial para a Serra?

É. Não há linhas regulares de ônibus entre Urubici, São Joaquim e Bom Jardim da Serra que sirvam ao ritmo de um turista, e transfers de táxi entre eles custam de R$180 a R$280 por trecho. O aluguel total de 4 dias mais combustível e pedágios sai R$1.100 a R$1.400 para duas pessoas, mais em conta do que remontar tudo em pedaços.

Quando neva em São Joaquim?

Neva mais ou menos 2 a 4 vezes por ano, quase sempre entre meados de junho e o fim de agosto. Raramente permanece por mais de 24 horas. Se neve é o objetivo, hospede-se em São Joaquim entre 5 e 25 de julho, acompanhe a previsão e esteja pronto para se mover rápido — é caçada, não reserva.

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