Onde ficar em São Joaquim
Fileiras de macieiras nas colinas onduladas ao redor de São Joaquim, na serra
A cidade mais fria do Brasil tem 3 grupos de hospedagem, e ficar numa vinícola em atividade custa menos que um hotel de faixa média em Florianópolis.
Para quem São Joaquim serve
São Joaquim fica a 1.415 m na Serra Catarinense e é a cidade habitada mais fria do Brasil — 30-40 noites de geada por ano, neve na maioria dos invernos, e o único setor comercial sério de maçã do país, além de uma cena de vinho de altitude em crescimento. Serve a enoviajantes, road-trippers fazendo o loop da Serra, brasileiros curiosos por frio, e para quem já fez o litoral de Santa Catarina e quer o oposto. As diárias estão entre as mais razoáveis do estado: R$260-500 para uma boa faixa média, R$650-1.300 para as pousadas butique nas vinícolas.
Não serve para praianos, para famílias com crianças bem pequenas que precisem de entretenimento indoor (quase não há), ou para quem está sem carro. A cidade em si é pequena, funcional e com pouco charme — o apelo está nas fazendas e paisagens fora dela. Se escolheu São Joaquim esperando ruas de paralelepípedo e casas enxaimel, escolheu errado e quer Treze Tílias. Se escolheu por vinho, maçã e altitude, escolheu certo.
O centro da cidade
O centro de São Joaquim é uma grade de cerca de 15 quarteirões ao redor da Praça João Ribeiro, com talvez uma dúzia de restaurantes (churrasco, italiano, e dois ou três que fazem as especialidades locais em condições), dois hotéis do tipo mais antigo, para representantes comerciais, e meia dúzia de pousadas simples. As tarifas na cidade são baratas: R$180-320 por um quarto limpo com aquecimento, R$300-450 por algo mais bacana. Se sua prioridade é caminhar até o jantar sem dirigir à noite em estradas com geada, ficar na cidade é a escolha sensata.
O detalhe é que a hospedagem na cidade perde todo o ponto de São Joaquim, que é a paisagem. Você está num vale, não tem vista, e os prédios ao redor são estoque de 1980 e 1990 sem grande apelo. Funciona bem como parada de uma noite entre o litoral e o Rio Grande do Sul, ou como base para quem queira comer e dormir barato e sair de carro para as atrações todo dia. Não funciona como destino em si.
As vinícolas
Doze a quinze vinícolas operam ao redor de São Joaquim a 1.200-1.400 m de altitude, e um número crescente oferece hospedagem no local — chalés dos vinicultores, casas de fazenda convertidas ou pequenas pousadas construídas para o fim, entre as parreiras. Essa é a melhor experiência de São Joaquim. As diárias variam de R$700-1.500, geralmente com café da manhã e frequentemente uma garrafa de vinho da casa, com degustações e visita à vinha arranjadas na porta. Você está dentro da propriedade, pode caminhar entre as parreiras ao entardecer, e o jantar é ou no restaurante da vinícola ou a 10-20 minutos de carro.
As duas áreas principais de vinho ficam na estrada para Bom Jardim da Serra ao sul da cidade e no planalto da Coxilha Rica a nordeste. As duas exigem carro. Algumas propriedades exigem reserva 3-4 meses antes para os picos de janeiro e julho, mas a disponibilidade de média temporada (abril-junho, setembro-novembro) costuma ser boa com duas semanas de antecedência. Pergunte se a vinícola oferece jantar no local — as que oferecem poupam uma volta de carro no frio da noite depois de degustar três ou quatro vinhos.
As pousadas da região das maçãs
Em torno de Vila Maria e Bom Retiro, ao norte e a leste da cidade, a paisagem muda de parreirais para pomares de maçã, e outro tipo de pousada rural opera aqui — frequentemente fazendas familiares diversificando para o turismo, com quartos mais simples, refeições caseiras e tarifas 30-40 por cento abaixo das vinícolas. R$400-700 pega uma experiência rural genuína, com colheita de maçã na temporada (fevereiro-abril), tours pelos galpões de embalagem, e aquele café da manhã de fazenda enorme, com queijo, presunto, quatro tipos de pão e bolo na mesma mesa.
Este agrupamento serve melhor a famílias e viajantes mais lentos que as vinícolas, que puxam mais para casais. Crianças podem conhecer cavalos, galinhas e vacas, e as fazendas não têm frescura com isso. O que se sacrifica é o cenário — pomares de maçã são menos fotogênicos que encostas de parreirais — e as opções à noite, porque a volta até a cidade leva 25-40 minutos e a maioria dos hóspedes come na fazenda. Pergunte especificamente sobre aquecimento; algumas casas antigas ficam frias à noite.
Quanto uma noite custa de verdade
O calendário de preços de São Joaquim espelha o de Urubici — pico nas férias escolares de julho, pico secundário em janeiro, barato nos meses de meia estação. Na alta de julho, as tarifas ficam em R$400-800 na cidade, R$900-1.700 nas vinícolas. Janeiro é 15-20 por cento abaixo disso. Nos meses de média temporada (abril-junho e setembro-novembro), as tarifas caem para R$260-450 na cidade e R$550-1.000 nas vinícolas, o que é um custo-benefício genuinamente bom pelo que se recebe — um quarto numa vinícola em atividade numa das menores regiões de vinho do Brasil.
Comparada ao litoral, São Joaquim é mais barata que a Rosa pela metade e mais ou menos empatada com Garopaba e Imbituba para qualidade equivalente, mas para férias completamente diferentes. Comparada a Gramado, do outro lado da divisa com o Rio Grande do Sul, São Joaquim é 30-40 por cento mais barata e consideravelmente menos turística. O principal custo oculto é a estrada: 4,5-5 horas de Florianópolis, e você vai gastar bastante combustível se deslocando, porque tudo que vale a pena fica a 10-30 km em estradas sinuosas.
O que está a pé
De uma pousada no centro de São Joaquim, o raio caminhável cobre 10-12 restaurantes, dois supermercados, a igreja matriz bonita e uma ou duas padarias fazendo cucas matinais em condições. É basicamente isso. A cidade não tem uma cena de bar que valha citar, e as lojas fecham cedo mesmo no verão. Se você escolheu São Joaquim, não foi para andar pela cidade — foi para dirigir até vinícolas, mirantes e cânions, e comer onde dorme ou por perto.
De uma vinícola ou fazenda de maçã, o raio caminhável é a propriedade do seu anfitrião — frequentemente 5-50 hectares dela, com trilhas entre parreiras ou pomares, às vezes uma pequena represa ou rio. Isso é genuinamente prazeroso no começo da manhã e ao entardecer, e é pelo que você está pagando. Não espere caminhar até o restaurante do vizinho; as distâncias entre estradas não favorecem, mesmo que o mapa faça parecer perto. Dirija, ou coma na casa.
Como combinar
O loop clássico da Serra Catarinense é Florianópolis-Urubici-São Joaquim-Bom Jardim da Serra (para descer a Serra do Rio do Rastro)-de volta ao litoral, cinco a sete noites no total. A vaga de São Joaquim nesse loop é de duas ou três noites: uma para as vinícolas, uma para a região das maçãs ou um passeio mais longo, e se você tem a terceira, uma para descer ao mirante do Rio do Rastro e a Cambará do Sul, cruzando a divisa do estado, se quiser os cânions dos Aparados da Serra.
Não tente São Joaquim sem carro, não tente como bate-volta do litoral (a estrada é longa demais nos dois sentidos), e não planeje a viagem para a primeira quinzena de junho, quando muitas vinícolas fecham brevemente para poda. Fevereiro e março são excelentes para colheita de maçã, abril e maio para as cores de outono nas vinhas, julho para o frio e possivelmente neve. Reserve estadias em vinícolas com 8-10 semanas de antecedência nos picos, duas a três semanas na média temporada.
Antes de reservar
As perguntas que as pessoas fazem sobre São Joaquim, respondidas com os números deste mês.
Os tintos de altitude — especialmente Malbec, Cabernet Sauvignon e Merlot de vinhas a 1.200-1.400 m — são o ponto forte da região, e várias vinícolas hoje ganham medalhas nacionais com regularidade. Os espumantes também são bons. Espere pagar R$80-180 por garrafa na vinícola para as linhas do dia a dia e R$200-400 para reservas. É uma região vinícola jovem; ainda não é Mendoza, mas é de verdade.
Urubici, se quer paisagem dramática e trilhas. São Joaquim, se quer vinho e um ritmo mais lento. Se só dá para uma, Urubici tem mais variedade visual e mais para ver a pé nas atrações. Mas se vinho importa para você, São Joaquim ganha e os cânions de Urubici vão parecer monótonos.
Muito raramente, e a maioria dos carros de aluguel não vem com elas. O que você realmente precisa é de uma estratégia para evitar tração traseira (alugue tração dianteira ou integral), disciplina para não dirigir em estradas com geada antes das 9h e checar se a via de acesso da sua pousada rural é asfaltada ou de terra. Pergunte antes de reservar, se estiver chegando em julho.