Laguna
Cidade pesqueira colonial onde pescadores e golfinhos selvagens cooperam para pescar tainha — centro histórico e longas praias oceânicas.
Prédios coloniais na beira-mar e barcos de pesca no centro histórico de Laguna
Por que as pessoas ficam em Laguna
Laguna é uma das paradas mais estranhas e bonitas do litoral sul: uma cidade colonial fundada em 1676 com centro histórico de verdade (a casa de Anita Garibaldi, o Museu Anita, fachadas portuguesas do século XVIII) e, na boca da lagoa, na Praia do Molhe, uma cooperação única entre pescadores e golfinhos que dura há 150 anos. Os pescadores de tainha esperam na água rasa; golfinhos-nariz-de-garrafa selvagens empurram os cardumes para o alcance da tarrafa e sinalizam com uma batida de cauda específica a hora de lançar a rede. Ninguém treinou os golfinhos. Simplesmente acontece, ainda hoje, todos os dias da safra da tainha (abril a julho).
Além dos golfinhos e do centro colonial, Laguna tem 30 km de praia de mar aberto na Praia do Mar Grosso e no Cabo de Santa Marta — o farol mais ao sul de Santa Catarina e um dos melhores picos de kitesurfe do Brasil (o Cabo Santa Marta aparece sempre entre os três primeiros destinos de kite pela constância dos ventos de sul de outubro a março). A cidade em si é tranquila e pouco turística para o que oferece. Fique duas noites aqui na descida de Florianópolis para o sul se quiser história, golfinhos e praias vazias.
Às 21h o centro histórico está quase em silêncio — dois ou três bares na Rua Gustavo Richard com mesas de plástico no calçamento, um violão eventual, gatos na escadaria da igreja. Não é uma cidade de vida noturna e não finge ser. O Mar Grosso tem um pouco mais de movimento em janeiro e fevereiro, com quiosques na avenida beira-mar servindo peixe na brasa e caipirinha até a meia-noite, mas mesmo isso morre de vez em março. Serve bem a casais, observadores de aves, kitesurfistas e quem já cumpriu as cidades de balada mais ao norte e agora quer sossego.
Famílias com crianças pequenas e viajantes com apenas uma noite provavelmente devem pular o Cabo Santa Marta e ficar pela cidade e pelo Mar Grosso — os 40 minutos de estrada pela SC-100 só compensam se você puder dedicar uma tarde inteira ao farol e ao vento. Quem procura bares, baladas ou um calçadão animado deve seguir para Florianópolis ou Balneário Camboriú; o apelo de Laguna está inteiramente nos golfinhos, nas ruas coloniais e na areia aberta e vazia, não no entretenimento noturno.
O Centro Histórico em torno da Praça República Juliana é caminhável e tem de 4 a 5 pequenos hotéis em prédios coloniais, de R$150 a R$280. A praia do Mar Grosso (5 km a leste) é a base de verão, com pousadas de R$180 a R$320 no pico e R$120 a R$180 no inverno. O Cabo Santa Marta (30 km ao sul, pela SC-100) é a base do kite-surfe com de 6 a 8 pousadas rústicas de R$220 a R$400 — isolado, mas com o melhor vento. Evite o sprawl na BR-101 entre Laguna e Tubarão — barato, mas desconectado.
O que fazer em Laguna
Praia do Molhe, na boca da lagoa, a 10 minutos do centro histórico. Melhor de abril a julho, na safra da tainha, no começo da manhã (6h às 10h) e no fim da tarde (15h às 18h). Os pescadores se enfileiram na beira, os golfinhos selvagens tocam o cardume. Grátis, exige paciência. O posto de informações confirma a atividade do dia.
A casa de Anita Garibaldi (mulher de Giuseppe, nascida aqui em 1821), na Praça República Juliana. Entrada R$10, aberto de terça a domingo, das 9h às 18h. Combine com uma caminhada pelo casario colonial ao redor — Rua da Alfândega, Rua da Praia, a antiga alfândega, a Igreja Matriz.
A 30 km ao sul de Laguna pela SC-100, perto do farol. Ventos de sul constantes e de nível mundial de outubro a março. Escolas de kite na praia — a Cabo Kite faz pacotes de 3 dias para iniciantes por R$1200 com todo o equipamento. O farol (1891) custa R$10 e vale a visita.
O farol de 1891 no ponto mais ao sul do litoral catarinense. Entrada R$10, aberto das 9h às 19h no verão. Suba até o topo para a vista de 360° sobre o mar, as lagoas costeiras e a praia do kite. Melhor 30 minutos antes do pôr do sol — o próprio farol se acende.
Praia do Mar Grosso, a 10 minutos de carro ou R$5 de ônibus do centro. Areia plana de mar aberto por quilômetros, com quase ninguém fora de janeiro e fevereiro. Os quiosques da avenida beira-mar servem pratos de peixe grelhado a partir de R$35. Caminhar é grátis; melhor nas duas horas antes e depois da maré baixa.
Rua da Alfândega, junto à orla do centro histórico. O prédio setecentista da Alfândega vale um olhar por fora mesmo fechado; o pequeno mercado de peixe ali perto funciona das 7h às 11h, mais ou menos, e vende a mesma tainha que os golfinhos ajudam a pescar.
O que ver
Hotéis perto de Laguna
Ainda não há hotéis listados em Laguna. Os mais próximos estão na página da região.
Como se locomover em Laguna
De Florianópolis, 2 horas ao sul pela BR-101, Uber R$260, ônibus intermunicipal R$52 (2h30). Do Aeroporto Hercílio Luz, 2 horas. De Garopaba, mais 45 minutos ao sul. Dentro de Laguna, o centro histórico e o Mar Grosso ficam a 10 minutos de carro um do outro, ônibus local a cada 30 minutos por R$5. O Cabo Santa Marta fica a 40 minutos ao sul pela SC-100 — é preciso carro ou Uber (R$60), sem ônibus público confiável.
Perguntas sobre Laguna
Golfinhos-nariz-de-garrafa selvagens empurram cardumes de tainha para a área rasa na boca da lagoa de Laguna. Os pescadores esperam com água pela cintura, tarrafa na mão. Golfinhos específicos (com nomes locais, identificáveis pelas marcas da nadadeira) sinalizam com uma batida de cauda característica quando os peixes estão ao alcance. Os pescadores lançam a rede; os golfinhos abocanham os peixes confusos que escapam. É o único caso documentado desse tipo de cooperação intencional entre golfinhos selvagens e humanos, e já dura mais de 150 anos.
A safra da tainha vai de abril a julho. A atividade acontece duas vezes por dia, mais ou menos das 6h às 10h e das 15h às 18h, conforme a maré. Pergunte no posto de informações turísticas de Laguna (na Praça República Juliana) sobre a movimentação do dia — eles anotam. Fora da safra você pode ver golfinhos, mas a pesca cooperativa em si fica intermitente.
Vale — só o centro histórico já justifica uma noite, com ruas coloniais portuguesas do século XVIII genuínas, mais silenciosas e menos restauradas-para-turista que as de Florianópolis. Some 30 km de praia aberta no Mar Grosso e o farol e a cena de kite no Cabo Santa Marta e há facilmente dois dias de conteúdo mesmo fora da safra. Combina com quem prefere história e espaço a vida noturna.
Duas noites cobrem com folga o centro histórico, a janela de observação dos golfinhos e uma tarde de praia no Mar Grosso. Acrescente um terceiro dia, ou uma estada separada de uma ou duas noites, se quiser explorar o Cabo Santa Marta direito ou fazer uma aula de kitesurfe, já que os 40 minutos de estrada em cada sentido não combinam com meio dia corrido.